Os últimos dias da noite

Published on: 30 de dezembro de 2017

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Os últimos dias da noite
Graham Moore

“Nova York, 1888. Na penumbras, as ruas iluminadas por lampiões a gás começam a brilhar com uma excitante novidade: a luz elétrica. Com a população maravilhada, o inventor da lâmpada, Thomas Edison, e o industrial George Westhinghouse disputam a primazia – e a imensa fortuna – de ser aquele que levará a inovação ao resto do país. A briga vai parar nos tribunais: Edison move contra Westhinghouse 330 processos por quebra de patente reivindicando indenizações de milhares de dólares.
Em meio ao embate, Paul Cravath, um jovem e inexperiente advogado, é contratado para defender Westhinghouse nesta causa. que todos dão como perdida.
Mesmo sem saber muito sobre ciência, Paul se torna um dos protagonistas do que viria a ser conhecida como ‘a guerra das correntes’: a disputa, no final do século XX, entre a corrente contínua, patenteada por Edison, e a corrente alternada, defendida pelo excêntrico cientista sérvio Nikola Tesla.”
(fonte: 1a. orelha do livro)

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O primeiro terço do livro basicamente retrata a época em que se passa a história e os conceitos científicos envolvidos na disputa. Dali em diante, a narrativa assume um ritmo mais ágil, com uma trama mais policialesca, envolvendo espionagem industrial, tentativas de assassinato, estratagemas legais e, até mesmo, romance. Aquela concepção idealista de inventores apenas preocupados em aplicar e desenvolver a ciência, fica aqui em segundo plano. A força motor em ambos os lados da disputa é, obviamente, a ambição de ser o único “provedor” de luz para todo o país.

Mas o envolvimento de Tesla nos acontecimentos, recupera o fator científico da contenda. Tesla é o estereótipo do nerd – extremamente focado em seus interesses, pouco sociável e cheio de manias. Há uma cena que descreve bem isso. Nela, ele se recusa a experimentar uma sopa pois o recipiente em que ela era servida deveria ter capacidade cúbica divisível por sete, caso contrário faria mal à sua saúde.

Interessante notar que as invenções descritas no livro não se limitam a dispositivos elétricos. O advogado de Westinghouse inventou o que veio a ser chamado de Sistema Cravath: empregar estudantes de direito como aprendizes, para executar a parte “braçal” dos processos enquanto aprendem o ofício e, posteriormente, quando formados, torná-los junior associates do escritório. Quem assiste a séries jurídicas norte-americanas – Suits, How to get away with murder, The good wife, etc. – sabe do que se trata.

Outro atrativo do livro são as epígrafes que abrem cada capítulo, com frases de filósofos, jornalistas e cientistas das mais variadas áreas, algumas delas de autoria dos próprios “personagens” do livro:

“Mostre-me um homem totalmente satisfeito e eu lhe mostrarei um fracasso.”
— Thomas Edison

“Não é possível ser um cientista bem-sucedido sem se dar conta de que, ao contrário da noção popular sustentada pelos jornais e pelas mães dos cientistas, muitos deles são não só enfadonhos e bitolados, mas simplesmente burros.”
— James Watson

“É preciso aprender as regras do jogo. E depois jogar melhor que qualquer um.”
— Albert Einstein

“Se você observar com cuidado, vai ver que a maioria dos sucesso instantâneos levou muito tempo para acontecer.”
— Steve Jobs

Mais um livro reportagem que consegue empolgar mesmo não sendo de “faz-de-conta”. Contudo, diferente de Z: a cidade perdida, este segue mais a linha de romance histórico – ou história romantizada. O autor, baseado em fatos históricos, “recria” os eventos ocorridos de forma a deixar a narrativa com um tom policial que impele o leitor a continuar a leitura. Não quer dizer que Moore inventou coisas, apenas as contou de forma mais atraente, utilizando-se da clássica jornada do heroi. Vale destacar que, ao final do livro, Moore esclarece quais foram as liberdades criativas que ele tomou – e não foram muitas.


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