7 de fevereiro de 2017, 22:32 - Cristine
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13 motivos para (não) ler Desventuras em Série

Desventuras em Série – vol.1 – Mau começo
Desventuras em Série – vol.2 – A sala dos répteis
Lemony Snicket (Daniel Handler)

Eu sei, o título do post não é dos mais criativos. Há vários outros posts e vídeos no YouTube com o mesmo título. Em contrapartida, é o melhor, o que mais tem a ver com a coleção de livros. Afinal, são 13 livros, cada um com 13 capítulos. Esta lista é baseada na leitura apenas dos dois primeiros volumes. Certamente, ler os demais deve acrescentar muitos outros motivos.

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  1. É uma coleção
    Nenhum leitor gosta de séries, certo? Quem vai querer um box todo estiloso com todos os 13 volumes para colocar na estante? Não há a menor chance de alguém querer ler tudo. Não mesmo!
  2. Conselho do autor
    Lemony Snicket explicitamente afirma que a leitura não é nada agradável. Quem melhor do que ele para dar essa informação? É sempre bom demonstrar respeito pelos escritores e talvez seja bom dar ouvidos a seus conselhos:

    “É meu triste dever pôr no papel essas histórias lamentáveis. Mas não há nada que o impeça de largar o livro imediatamente e sair para outra leitura sobre coisas alegre, se é isso que vocè prefere.”
    (quarta capa do livro)

  3. Narrador intrometido
    Se você, leitor, não gosta de ouvir histórias e causos, abandone a leitura agora! A narração é feita em primeira pessoa, pelo próprio Lemony Snicket. E ele, como se pode perceber pelo trecho reproduzido acima, é o tipo de narrador opinativo, que conversa com o leitor, por vezes até um tanto intrometido. Alguns estudiosos o definem como “narrador intrusivo”, assim como o narrador de O hobbit (Tolkien), ou o de Quincas Borba (Machado de Assis).

    “Nesta altura de nossa história, sinto-me obrigado a interrompê-la para lhes dar um último aviso. Como eu disse no comecinho, este livro que está na mão de vocês não termina com um final feliz. (…) Se preferirem, podem fechar o livro imediatamente e não ler o desfecho infeliz que se segue. Vocês pode passar o resto da vida acreditando que os Baudelaire triunfaram sobre o conde Olaf e viveram o resto da vida deles na casa e na biblioteca da juíza Strauss, mas não é assim que a história continua.”
    (pag.142 – Mau começo)

  4. mau-comeco

  5. Referências
    Muitas, mas muitas referências literárias mesmo. A começar pelo sobrenome dos irmãos Baudelaire – referência ao autor de Flores do mal. Tantas que qualquer leitor vai logo desistir de continuar a leitura. Afinal, é muito chato perceber esses easter-eggs enquanto lê. Mas não apenas referências literárias. Há algumas musicais, como o sobrenome da juíza Strauss – referência ao compositor da famosíssima valsa Danúbio Azul. Outras a personalidades da high society. Por exemplo, os nomes dos irmãos Baudelaire remetem aos von Bülow, casal socialite envolvido em um escândalo nos anos 80 – o marido, Claus, acusado de tentativa de assassinato da esposa, Sunny, em um dos julgamentos foi defendido por Arlene Violet. A propósito, a história do casal também virou filme – O reverso da fortuna, com Jemery Irons e Glenn Close.
  6. reading-law-book

  7. O leitor é tratado como ser inteligente
    Como assim? Ninguém gosta disso! O narrador, apesar de contar a história como se estivesse conversando com o leitor, não se exime de utilizar palavras difíceis ou menos conhecidos. Pois, para ele, não é preciso usar um vocabulário pobre para narrar bem uma história. A todo momento, quando um termo menos usual é utilizado por um personagem, o próprio personagem se propõe a explicar o sentido da palavra aos irmãos Baudelaire e, consequentemente, aos leitores. Porém, muitas vezes, os irmãos logo retrucam que já sabem o que significa – assim como vários jovens leitores provavelmente fazem em voz alta. Há algumas coisas que, tenho certeza, até alguns adultos não sabiam o que era até o narrador explicá-las. Por exemplo, em dado momento o narrador faz um parênteses na narrativa para explicar o que é ironia dramática:

    “Há um tipo de situação, que acontece frequentemente e que está acontecendo neste ponto da história dos órfãos Baudelaire, que foi chamada de “ironia dramática”. Em poucas palavras, a ironia dramática ocorre quando uma pessoa faz um comentário inocente, e outra pessoa que o escuta está sabendo de alguma coisa que faz com que esse comentário toma um sentido diferente, em geral desagradável.”
    (pag.37 – A sala dos répteis)

  8. Narrador politicamente incorreto
    E a educação dos leitores, onde fica? Cansado das historinhas infantis repletas de lições de moral, remontando às fábulas de séculos passados, o autor quis escrever algo bem mais “aderente” ao cotidiano. Afinal, nem tudo é preto no branco. Mentir é errado? Sim, ninguém discorda disso. Mas há situações em que uma mentirinha é aceitável em prol de um bem maior. E o narrador fala isso, entre outras pequenas transgressões.

    “A moral da história, é claro, deveria ser: ‘Não more jamais num lugar onde os lobos passeiam à vontade’, mas quem leu para vocês a história provavelmente terá dito que a moral era que não se deve mentir. Ora, essa é uma moral absurda, pois tanto vocês como eu sabemos que às vezes mentir não somente é bom como é necessário.”
    (pag.136 – A sala dos répteis)

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  10. Forma integrada ao conteúdo
    Qual a necessidade disso? Por que não manter o texto sempre do mesmo jeito comum? Por que entregar-se à estratégia de James Joyce em Ulysses, em que a forma da narrativa acompanha e complementa o conteúdo. O autor faz isso o tempo todo:

    “Era um livro de texto longo e difícil, e Klaus foi ficando cada vez mais cansado à medida que transcorria a noite. Seus olhos às vezes se fechavam. Pegou-se lendo a mesma frase de novo, e de, novo, e de novo. Pegou-se lendo a mesma frase de novo, e de, novo, e de novo. Pegou-se lendo a mesma frase de novo, e de, novo, e de novo. Mas aí lhe vinha à lembrança como haviam brilhado as mãos de gancho do colega do conde Olaf na biblioteca, e ele então as imaginava dilacerando sua carne, e mais que depressa acordava e retomava a leitura.”
    (pag.88 – Mau começo)

  11. As ilustrações de Brett Helquist
    Se você leu o post até aqui, já pôde observar algumas delas. Terríveis, não? Vale reparar naquelas que ficam ao final de cada livro, pois trazem pistas sobre a história do livro seguinte.
  12. Os protagonistas
    São crianças adoráveis demais. Que leitor vai querer saber o que acontecerá com elas no decorrer dos 13 volumes? Violet é a mais velha. Tem 14 anos de idade e é uma inventora. Prende os longos cabelos com uma fita sempre que está inventando alguma coisa. Klaus é o irmão do meio. Tem 12 anos e é um leitor voraz (alguém aí se identificou?). E, devido à sua ótima memória, nunca esquece uma palavra do que lê. E Sunny, a caçula, um bebê ainda de colo. Tem dentes afiados e uma mordida super forte. Não sabe falar (ainda), mas Snicket faz questão de traduzir seus balbucios para o leitor. Porém, mais legal ainda é quando usa uma palavra que faz todo o sentido em uma situação, como o “A-ha!” ao pegarem Olaf numa mentira.
  13. O vilão
    Que graça tem um vilão que é ator por profissão e que passa todos os livros se disfarçando das mais diversas formas?
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  15. A ambientação
    Não é possível precisar onde e em que época a história se passa. Há elementos de várias épocas. Mas pende bastante para o gênero Steampunk em que tecnologias avançadas – por exemplo, fibra óptica – convivem com máquinas a vapor.
  16. As dedicatórias
    Quem é essa tal Beatrice? Todas as dedicatórias são para ela, bem mórbidas, por sinal. O autor bem que podia variar. Possivelmente é mais uma referência. Neste caso à musa de Dante Alighieri, autor da Divina Comédia.

    “Para Beatrice
    querida, adorada, morta”
    (Mau começo)

    Para Beatrice
    Meu amor por você viverá para sempre
    Você não teve a mesma sorte.
    (A sala dos répteis)

  17. Estreia da série na Netflix
    Afinal, nenhum leitor que se preze faz questão de ler todos os livros antes de assistir à série, não é? Ok, já foi feito um filme baseado nos três primeiros volumes. Mas mesmo assim… Para que ler?! Principalmente porque a série é bastante fiel e os livros nunca são melhores. Além disso, por que se proteger de spoilers, não é mesmo?

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1 comentário

  • Adorei o sarcasmo! HAHAHAHA.

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