Jack, o estripador em Nova York

25 de maio de 2015
in Category: Resenhas
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Jack, o estripador em Nova York

Jack, o estripador em Nova York

Jack, o estripador em Nova York – 1895, um jovem detetive no encalço do serial killer mais famoso da história
Stefan Petrucha

Carver Young sonha ser um detetive, apesar de ter crescido num orfanato, tendo apenas romances policiais e a habilidade de abrir fechaduras para estimulá-lo. Entretanto, ao ser adotado pelo detetive Hawking, da mundialmente famosa Agência Pinkerton, Carver não só tem a chance de encontrar seu pai biológico como também se vê bem no meio de uma investigação de verdade, no encalço do cruel serial killer que está deixando Nova York em pânico total. Mas quando o caso começa a ser desvendado, a situação fica pior do que ele poderia imaginar, e sua relação com o senhor Hawking e com os detetives da Nova Pinkerton entra em risco. À medida que mais corpos aparecem e a investigação ganha contornos inquietantes, Carver precisa decidir: de que lado realmente está? Com diálogos brilhantes, engenhocas retrofuturistas e a participação de Teddy Roosevelt, comissário da polícia de Nova York que viria a ser presidente dos Estados Unidos, Jack, o Estripador em Nova York desafiará tudo o que você pensava saber sobre o assassino mais famoso do mundo. E o deixará sem fôlego!
(fonte: http://grupoautentica.com.br/vestigio/)

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Stefan Petrucha, conhecido por ser autor de alguns episódios de X-Files, Nancy Drew e várias HQs de horror e sci-fi, estreia na literatura YA policial, ou de mistério. E esta sua primeira incursão é bastante bem-sucedida. Construiu um universo que flerta com o steampunk – repleto de gadgets, engenhocas, segredos e conspirações.

Se, por um lado, os gadgets são um atrativo, por outro, causam certa estranheza a qualquer leitor um pouco mais observador e com um mínimo de conhecimento de histórias das invenções. Vários instrumentos e máquinas descritos no livro são incrivelmente modernos para a época em que se passa a história – por volta de 1890. Desde elevadores pneumáticos até carros elétricos, passando por máquinas analíticas (um simulacro da máquina diferencial de Babbage), pistolas automáticas e sistemas de tubulação de voz. Apesar da suspensão de descrença, em vários momentos parei a leitura, pensando: “A tecnologia da época não era tão evoluída a ponto de conseguir fabricar algo assim!”. Há quem não se importe com isso, mas há leitores (eu me incluo) que preferem que haja coerência “tecnológica”. Mas o próprio autor se redime desses deslizes. Há um pequeno glossário no final do livro, em que Petrucha explica que – sim, eu estava certa – algumas traquitanas não seriam concebíveis na época, mas que não pode resistir à vontade de usá-las.

O ritmo da narrativa é bastante cinematográfico. Capítulos curtos, tal qual um filme de ação/aventura com vários cortes. Mas sem exageros, está longe da edição nervosa de Michael Bay. Alguns cliffhangers poderiam ter sido melhor planejados, pois alguns capítulos parecem ter sido meramente interrompidos para não excederem a média de páginas – de 3 a 5 cada um. Não chega a ser um problema, mas irrita um pouco.

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Stefan Petrucha (www.petrucha.com)

Os personagens são bem construídos e bem desenvolvidos enquanto a trama avança. O trio central – Carver, Delia e Finn – não conquistam o leitor logo no início. Não são particularmente “gostáveis” à primeira vista. Mas, aos poucos, o equilíbrio entre qualidades e defeitos faz o leitor ver o quanto são verossímeis, ou seja, “gente como a gente”, fazendo-nos ficar mais interessados no destino deles e no sucesso de sua empreitada. Há um ponto incômodo com relação a eles: os diálogos. Ok, é um YA. OK, os três adolescentes passaram quase toda a vida em orfanatos. Mas em muitos trechos, a linguagem está modernosa demais, informal demais personagens que vivem no final do século XIX. Não atrapalha, mas destoa do universo criado pelo autor.

Para leitores vorazes de histórias policiais e similares, a história apresenta um ponto positivo e um negativo.

O positivo é a quantidade enorme de referências, incluindo citações diretas, a outras obras famosas do gênero – não apenas literárias, mas de outras mídias também. Logo de cara, o leitor fica sabendo que o jovem Carver é fã de Sherlock Holmes, Allan Quatermain e Nick Neverseen – é divertido ver seu mentor, Hawking, debochando das aventuras dos personagens, enfatizando que o trabalho do detetive não se resume às (aparentes) epifanias que levam à solução de um mistério.

E as referências não param:

Entrar na agência – no caso, a Nova Pinkerton – por um elevador ⇨ Agente 86

“Maravilhado, Carver olhava ao redor no cubículo apertado.
Hawking deu de ombros.
– Você nunca entrou num elevador?”
(p.39)

Um vagão de trem recondicionado, utilizado pelos personagens, cheio de bugigangas ⇨ James West

“Contudo, o mais interessante era o vagão de trem estacionado sob a escadaria dupla. O alto cilindro metálico com janelas ovais dos dois lados da porta diferia de tudo o que Carver já vira ou lera a respeito. Havia apenas o vagão, nenhuma locomotiva.”
(p.40)

Quem tiver paciência, conseguirá listar muitas mais.

O ponto negativo é a simplicidade dos mistérios. Sim, há mais de um. Um de resolução mais simples do que o outro, mas mesmo assim, pouco complexos. Talvez, fãs de literatura policial veteranos, não se se sintam suficientemente desafiados pela leitura. Mas a proposta do livro não é essa, certo? É uma aventura infanto-juvenil, em que o enfoque não é o uso intenso da lógica para a resolução do(s) mistério(s). E, naquilo que se propõe, cumpre muito bem seu papel.

Para quem (como eu) amplificou o amor aos livros lendo Marcos Rey, Stella Carr, Agatha Christie e Conan Doyle, o livro traz de volta aquela sensação boa de varar a noite lendo para saber logo como termina.

Vale um Capuccino
4 out of 5 stars

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