Os 5 C’s para escrever um bom thriller – Coronary

22 de Maio de 2014
in Category: Dicas, Escrita
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Os 5 C’s para escrever um bom thriller – Coronary

»» versão do artigo “The 5 C’s of Writing a Great Thriller Novel”, escrito por James Scott Bell, publicado em 06/05/2014 no Writer’s Digest ««

Quarta parte do post publicado em 15/05/2014. Leia também a 2a. e a 3a. partes.

coronary

4. Coronárias

(N.T.: artérias que irrigam o coração)

Os melhores thrillers apunhalam o coração, completamente. Fazem isso levando os leitores a experimentar as emoções de cada cena.

Como você pode fazer isso? Primeiro, por experimentá-las você mesmo. Memória sensitiva é uma técnica utilizada por muitos atores sérios. Funciona assim: você se concentra para evocar um momento emotivo de sua vida, e recria cada uma das sensações em sua memória (visão, cheiro, tato, som, etc.) até que você comece a sentir aquela emoção novamente. E você irá sentir. O ator a transfere ao seu personagem; o escritor, à página.

Quando estava chegando ao núcleo de um de meus thrillers em andamento, a história de dois irmãos, precisava sentir o que o caçula estava sentindo quando o vilão chega. Rememorei uma época, quando tinha 6 ou 7 anos, e alguns valentões me encurralaram numa colina. Aterrorizado, finalmente consegui escapar para casa e fui choramingar para meu irmão sobre o que tinha acontecido. Ele me deixou em casa.

Eu nunca mais vi aqueles valentões no nosso bairro de novo.

Quando escrevi as cenas do irmão caçula, foquei novamente nos sentimentos daqueles momentos e transferi essas emoções para o texto.

“Eles vão matar Chuck e depois vão fazer a mesma coisa comigo. É por isso que me amarraram e colocaram uma coisa na minha boca e não vão me deixar falar… Eles me bateram. Estou na traseira dum caminhão. Estão me levando pra algum lugar. Espero que me levem até onde Chuck está. Se eles fizerem algo com Chuck, eu vou mordê-los. Vou fazer tudo que puder para machucá-los. Talvez eu morra, mas não vou morrer enquanto não machucá-los pelo que eles vão fazer com Chuck.”

Outra forma de explorar a frequência cardíaca do seu personagem é a frase longa e desconexa. Entreviste o personagem no pico da emoção. Escreva sua reação com pelo menos 200 palavras sem utilizar ponto. Então explore o texto para encontrar preciosidades e descrições emocionais. Você pode mesmo usar um pouco disso, como Horace McCoy fez no seu thriller noir de 1938, I Should Have Stayed Home (N.T.: sem tradução no Brasil):

“Tudo culpa da Dorothy, eu pensei, xingando-a na minha cabeça com todas as palavras sujas que consegui pensar, todas as palavras obscenas que lembrei que os garotos da minha velha turma berravam para mulheres brancas quando passavam pela vizinhança, indo trabalhar nos puteiros, é isso que você é, Dorothy, desligando o Vine (N.T.: DJ norte-americano) na avenida, se sentindo horrível e sozinha, ainda pior do que aquele vez que meu cachorro foi morto pelo Dizie Flyer, mas me dizendo numa voz sumida que mesmo assim eu ra melhor que aqueles colegas que cresceram comigo lá na Georgia que se casaram e tem filhos e empregos certinhos e salários regulares e estão fazendo a mesma coisa do mesmo jeito e continuarão fazendo isso para sempre.”

horace mccoy

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