O leopardo

11 de fevereiro de 2015
in Category: Resenhas
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O leopardo

O leopardo

O leopardo
Jo Nesbø

Ao trocar a fria Oslo por Hong Kong, Harry Hole encontra refúgio no ópio, no álcool e nos jogos de azar para fugir de sua antiga vida. Porém, por mais que ele tente se manter afastado, um sórdido assassino consegue trazê-lo de volta à realidade. Duas mulheres são encontradas afogadas no próprio sangue, e uma terceira é morta por enforcamento. A cobertura da imprensa provoca grande comoção na cidade. Não há pistas do assassino, a única conexão entre as mortes é o fato de que todas as vítimas passaram a noite em uma cabana isolada nas montanhas. Conforme a investigação avança, Harry tem certeza de que está lidando com um perigoso e implacável assassino, que escolhe suas vítimas a dedo. Porém, ele não imagina que, ao assumir o caso, coloca-se também na mira desse perigoso psicopata.
(fonte: livcultura.com.br)

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Devo admitir que se não fosse a vinda de Nesbø ao Brasil e a oportunidade de, além de conhecê-lo no evento promovido pela Livraria Cultura, pegar seu autógrafo no livro recém-lançado, eu não o teria comprado – ao menos, não agora. Gostei bastante dos dois lidos anteriormente – A estrela do diabo e Boneco de neve, mas a quantidade de livros adquiridos e não lidos é tão grande que eu não deveria comprar mais nada até reduzir esse montante pela metade. Enfim… não resisti à oportunidade de tietar o autor.

Um dos pontos negativos são os personagens. Hole, por exemplo. Exceto pela sua atitude relutante e esquiva no início da história – em Hong Kong – não consegue cativar o leitor a ponto de deixá-lo interessado no desenrolar de seus dramas pessoais. Mesmo gostando bastante dele, mesmo sendo um personagem muito bem construído, sua apatia é exasperante. E assim como ele, os demais personagens são simplesmente irritantes, quando deveriam ser cativantes. A única exceção é Katrine, sua antiga parceira. Apesar de surgir em vários momentos quase como um deus ex machina, com as únicas respostas que guiam Hole à resolução do mistério, seus diálogos com ele são ótimos.

“Havia tantas coisas que ela devia ter aproveitado melhor, com mais honestidade, devia tê-los preenchido com alegria, fôlego e amor. Tantos lugares por onde havia apenas passado, tantos lugares para onde planejava ir. Os homens que havia conhecido, o homem que ainda não havia conhecido. O feto que havia tirado aos 17 anos, os filhos que ainda não tinha. Tantos dias desperdiçados em troca dos dias que achava que teria.
(…)
– Não mexa no fio.
(…)
Seus dedos encontraram o fio pendendo dos lábios. Puxou com cuidado até ficar retesado.
Estava arrependida de tudo que não tinha feito, claro. Mas se uma vida de renúncias a tivesse colocado em qualquer outro lugar além daquele onde se encontrava, ela a teria escolhido. Só queria viver. Qualquer vida que fosse. Simples assim.
Ela puxou o fio.”
(cap.1 – O afogamento)

Até mesmo o criminoso deixa a desejar. Apesar de a narrativa de Nesbø ser sempre crua, sem amenizar a violência e a descrição da tortura e dos assassinatos – o que pode afastar alguns leitores – o vilão não convence. Não é intrigante o suficiente para conquistar o leitor. Ficamos mais interessados no que o boneco de neve irá dizer a Hole do que em todas as declarações do assassino – a propósito, era meu principal suspeito. Sinceramente, eu preferiria ter sido surpreendida.

Faltando cerca de 150 páginas para o final, um suspeito cujo histórico se encaixa no perfil do assassino é preso. Nesse ponto, a maioria dos leitores para e se faz uma das duas perguntas:

  1. O que irá acontecer nas próximas 150 páginas? Encheção de linguiça? (se pergunta o leitor acredita que este seja o culpado)
  2. Vai demorar mais 150 páginas para solucionarem o caso? (se pergunta o leitor que tem outro suspeito)

De uma forma ou de outra, tem-se a impressão de que a história irá se arrastar até o desfecho.

autografoUm adjetivo consegue definir o livro: extenso. Ao contrário do que afirma o excerto do Daily Mirror na capa, a narrativa de Nesbø não é mais dinâmica que a de Stieg Larsson, pelo menos não neste livro. Há ótimos momentos de tensão – o primeiro capítulo é um ótimo exemplo – mas enormes barrigas, trechos cansativos e, por vezes, desnecessários que deixam o leitor com preguiça de continuar. Certamente o livro seria beneficiado por uma boa enxugada no texto. A narrativa não perderia ritmo e envolveria o leitor do início ao fim. Lógico que é necessário dar a quem lê aquele respiro, aquela oportunidade de relaxar, se ajeitar melhor no sofá e continuar a leitura. Nos livros anteriores, o autor fez isso na medida certa, dando algum tempo ao leitor para absorver as informações e formular suas próprias hipóteses, antes de lançá-lo novamente na trama. Pena não ter conseguido repetir isso.

Vale um Macchiato
3 out of 5 stars

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