Pó de parede, de Carol Bensimon

11 de maio de 2014
in Category: Parceria, Resenhas
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Pó de parede, de Carol Bensimon

Pó de parede, de Carol Bensimon

Pó de parede
Carol Bensimon

De volta à casa modernista onde cresceu, Alice revive a tragédia que marcou sua adolescência. Em uma pequena cidade, o início de uma misteriosa construção modifica a rotina das irmãs Lina e Titi. Clara, aspirante a escritora, emprega-se em um hotel da serra e transforma-se no Capitão Capivara. Nas três histórias de Pó de parede, as personagem encaram com sarcasmo e delicadeza as suas desilusões, revelando o lado melancólico da juventude.
(fonte: www.naoeditora.com.br)

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Livro enviado pela Não Editora

O livro é composto por três contos longos, quase noveletas. O primeiro, “A caixa”, é uma narrativa não linear, abrangendo um período que vai de 1991 a 2007, a respeito da amizade entre três crianças/adolescentes/jovens – Alice, Tomás e Laura. Enquanto Alice e Tomás são os deslocados da turma, Laura é a patricinha. O conto aborda as transformações por que passam os três, seu amadurecimento, a construção de suas personalidades, enfim, o “tornar-se adulto”. E, embora Alice não seja a única a narrar, seu olhar e sua avaliação sobre o mundo ao redor se sobressaem. É sob seu ponto de vista que vemos a maior parte dos acontecimentos, inclusive o desfecho trágico. As palavras são usadas com ponderação, milimetrica e delicadamente posicionadas, dando ao texto um ritmo, uma cadência que tornam a leitura fluida. Faz lembrar a prosa poética de Marcelino Freire, em que é quase impossível furtar-se à vontade de ler o texto em voz alta para apreciar sua musicalidade.

“Então Alice estava havia um ano e meio em Paris e só agora pegou o trem para fora da cidade, quarenta minutos para fora da cidade, sentindo primeiro o cheiro do pain au chocolat nos subsolos da estação Châtelet Les Halles e sabendo que, embora o sentisse com frequência, era a essa manhã que ele remeteria mais tarde. Nós sempre sentimos o momento exato em que a memória está sendo criada, Alice pensava, e o trem a essa hora já saíra para a superfície, com a periferia de Paris e suas casas e a tristeza de todos aqueles jardins raquíticos.”
(p.49)

O segundo, “Falta céu”, também é uma história de transformação. Conta a história de Lina que, com sua irmão Titi e seu amigo João, observa a chegada das escavadeiras à beira do rio em que costuma nadar. A construção de um condomínio de luxo aos poucos põe fim à calmaria da cidade. A narrativa é construída com leveza, sem travessões ou aspas, usando apenas vírgulas e dois pontos para indicar a alternância entre a voz do narrador e a dos personagens. Quem já leu Saramago tira isso de letra e a leitura flui sem sobressaltos. Há um sarcasmo sutil na forma como se refere ao condomínio e seus vendedores. Pode-se quase visualizar aquele sorrisinho de canto de lábio ao tecer comentários sobre os benefícios que o empreendimento possui e sobre a modernização da pequena cidade. Apesar do desenrolar interessante fica a sensação de que falta algo, um fechamento mais contundente, talvez.

“Mas até que cair era bom, e naquele silêncio sorriu de leve pensando. Recebia atençãom achavam que era corajoso. É. Cair sem chorar e sem reclamar não tinha problema nenhum. Era quase um negócio de herói.”
(p.70)

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Carol Bensimon

O terceiro, “Capitão Capivara”, deixa de lado a narração em terceira pessoa e, em primeira pessoa, alterna os pontos de vista de dois personagens – Carlo Bueno, um escritor famoso e acomodado na profissão, hospedado num hotel a trabalho; e Clara, uma aspirante a escritora, fã de Carlo Bueno, que aceita um emprego no mesmo hotel, com a intenção de ter um tempo para si e para escrever seu romance. Um amigo comum, Edgar, o limpador de piscinas, é o ponto de ligação entre eles. Neste, a transformação ocorre na forma como Clara encara o “ser escritor” ao ser confrontada com a desilusão de Carlo, que está no hotel para escrever (mais) um livro encomendado, com intenções marketeiras. Interessante notar como as duas vozes são bem distintas. A amargura de Carlo construída com a mordacidade com que a autora descreve o que ele pensa e faz. E a boa vontade quase ingênia de Carla construída com a candura de quem aceita o que vier para atingir seu sonho.

“Ele não ganhava lá essas coisas porque estava sendo fiel à sua arte, o que não era o meu caso com essas porcarias de romances policiais que todo mundo gostava. E agora mais essa de publicidade do hotel disfarçada no meio de um duplo assassinato por envenenamento. É claro que eu teria que ficar quieto sobre por exemplo o lado de carpas de dez anos atrás, que agora era um espaço fundo sem água pintado com tinta azul clara, e disfarçando muito mal a sua condição de já-não-sou-mais-o-que-era com uns ridículos e enormes vasos de comigo-ninguém-pode. Um tipo de ironia bem refinada.”
(p.112)

Não é por ser um livro curto e aparentemente despretencioso que “Pó de parede” não tem a capacidade de impressionar o leitor. Consegue não só deixá-lo reflexivo após o término da leitura como deixá-lo com vontade de reler tudo e descobrir mais nuanças do texto.

Vale um Macchiato
3 out of 5 stars

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8 comments on “Pó de parede, de Carol Bensimon”

  1. Minha professora leu este livro na minha sala com o abjetivo de que os alunos ouvisse o livro e escrevesse o que entendeu da história em seguida . Mais só consegui ouvir o começo da história ”Pó de parede, Carol Bensimon , A caixa ” pois estava acordada desde sedo e como estudo a tarde estava bem cansada, a o longo que ela contava a história para minha turma eu ficava cada vez mais cansada e desanimada. Comecei a cochilar depois de 15 minutos que minha professora tinha começado a ler o livro ou seja 4:15 as 5:20 acordei totalmente perdida no tempo . Faltavam apenas 10 minutos para bater o sinal da escola e eu ir para casa … Então a professora parou de ler o livro Como o livro é grande a professora terminou de ler o livro no dia seguinte, Mais como eu não tinha ouvido a primeira parte do livro fiquei totalmente perdida e não tinha quase nada para escrever no resumo que logo a professora iria mandar fazer com o minimo de 60 linhas consegui escrever apenas 6 . Pouca eu sei .. Mais com o resumo desta pagina da net consegui terminar o meu resumo e emfim fiz um resumo perfeito … Nota 100 .. Obrigada Cafeina literária ! Obrigada mesmo sou muito grata a todos vocês !

  2. É muito legal e bonita a história romântica também muito interessante adooreii……………..

  3. lara disse:

    esse resumo ajuda muito , estava um pouco perdida na hora que fuiz fazer meu resumo . mas depois que li me deu expiracao para poder resumir fiz o resumo do resumo enfin nota 10 no trabalho e obrigada.

  4. walesca disse:

    é muito bom adoreii…

    1. Cristine disse:

      Olá Walesca,
      Que bom que curtiu. Obrigada pela visita!

      Abraços e boas leituras 🙂

  5. gabriel disse:

    #muito-bom principalmente (a caixa),gostei muito.

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