Eu e o Kindle. O Kindle e eu.

25 de julho de 2013
in Category: Opinião
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Eu e o Kindle. O Kindle e eu.

Eu e o Kindle. O Kindle e eu.

Em 2011, escrevi um post sobre o futuro do livro no formato “padrão”, em papel. E, apesar de escrito há algum tempo – nem achei que fosse tanto – minha opinião continua basicamente a mesma. Dito isto, segue-se o relato de uma viciada em livros físicos – eu – de posse de seu primeiro e-reader.

Sim, agora eu tenho um Kindle 4. Por obra e gentileza do companheiro de todas as horas, Douglas, fui surpreendida no meu aniversário com um presente made-in Amazon. Surpreendida, sim. O esperado seria um livro, já que somos integrantes do grupo “Me dêem livros de presente”. Mas, em vez de um livro, ganhei um contêiner de centenas (ponto a favor).

kindle01

Primeiras impressões: o “baguio” é bonitinho e super leve. Não que beleza seja um quesito essencial – contrariando o eterno Vinícius – , mas sempre ajuda a causar boa impressão. E o peso fez-me pensar imediatamente no conforto de poder ler livrões – tipo 2666 de Roberto Bolaño com suas mais de 800 páginas – no metrô ou no ônibus sem necessidade de malabarismos e de força descomunal nos dedos a fim de mantê-los abertos (ponto a favor).

Confesso que tenho um problema quanto à leitura em mídia digital. Preciso me livrar do hábito, bastante arraigado, de encarar o texto digital como sendo leitura de consumo rápido e, com frequência, de “descarte” quase imediato. Quase um fast-food literário. Não presto tanta atenção ao texto quanto a um livro impresso. Com Dan Brown e similares, não há problema, é só para entreter e passar o tempo. Mas ainda não conseguiria ler algo que requeira alguma reflexão, tipo um Dostoievski. Aliás, fazendo jus a essa minha propensão, o primeiro livro que li no Kindle foi justamente Inferno, de Dan Brown (resenha aqui).

Capa adquirida no Mercado Livre. Semi-nova, original do Kindle, com lâmpada.

A primeira coisa que fiz ao chegar em casa, com uma rede wi-fi disponível, foi sincronizar o e-reader com minha conta na Amazon. Sim, eu já havia adquirido alguns e-books pois utilizava o aplicativo do Kindle tanto no meu celular Android quanto na web. Sincronia feita – demorou apenas alguns minutos – comecei a testar todos os meios possíveis de transferir arquivos para o aparelho.

Via USB foi super tranquilo apesar de um pequeno defeito que me desanimou um pouco na hora de organizar os livros. Esperava que, organizando os arquivos em diretórios, essa arrumação se refletiria automaticamente nas coleções que o Kindle utiliza para dispor os livros. Mas isso não acontece (ponto negativo). Foi preciso criar e organizar as coleções diretamente no Kindle. Não é difícil, porém seria mto mais prático poder fazer isso pelo computador. Enfim, não é um problemão, mas senti falta desse recurso. Talvez haja um modo de editar diretamente o arquivo que o Kindle usa para armazenar a lista de livros de cada coleção. Ainda vou procurar por isso.

Via e-mail há uma vantagem nítida. Ao incluir o e-reader na lista de dispositivos de leitura, é criada uma conta de email no padrão nome-do-usuario@kindle.com. Ao enviar arquivos para esse endereço, o mesmo é baixado para o aparelho e, o melhor de tudo, fica disponibilizado na nuvem, podendo ser acessado a partir de qualquer outro dispositivo (ponto a favor).

Bem, quanto à leitura, o nível de luminosidade da tela é bastante confortável e não cansa a vista. Apesar de o dispositivo ler arquivos em outros formatos além do nativo, a formatação só fica “arrumadinha” se o arquivo for um .mobi. Testei com .pdf e .txt e, apesar de abrir sem qualquer problema, a exibição deixa bastante a desejar. Não chega a ser um problema pois há vários softwares de conversão disponíveis para download. Fiz alguns testes com o Calibre e funcionou muito bem.

inferno - capaDurante a leitura de Inferno, testei alguns dos recursos do aparelho. Ao invés de post-its coloridos para marcar trechos, usei o recurso de marcação, que se revelou bastante útil. Comecei marcando todas as vezes em que o protagonista, Robert Langdon, era acometido por dores de cabeça insuportáveis e/ou lancinantes. Ao fazer marcações, o aparelho cria um arquivo listando todas elas, indicando o livro e a página. Foi assim que constatei que, até o momento em que desisti de continuar marcando, Langdon sofrera dez vezes com essas dores. Pobre professor! Além disso, não tive paciência de marcar (e contar) quantas vezes ele foi “engolido pela escuridão”, mas foram várias também. Citei na resenha que utilizei a busca para localizar um trecho que me pareceu extremamente semelhante a outro lido anteriormente. Trecho localizado e a decepcionante constatação de que eram praticamente idênticos. “Shame on you!”, Dan Brown.

Acostumada (infelizmente) a celulares cuja bateria dura um dia ou menos, resolvi testar a duração da bateria do aparelho. Deixei-o sem recarregar e em stand-by desde o dia em que o ganhei. Depois de três semanas de uso, a bateria acabou ontem (ponto a favor). E, bem antes de acabar, há mais ou menos uma semana havia uma notificação de bateria baixa para evitar imprevistos. A propósito, as telas de descanso, quando o aparelho está em stand-by, são imagens relacionadas à escrita e leitura, todas muito bonitas e inspiradoras.

kindle-screensaverEnfim, adorei o presente e estou bastante satisfeita com o aparelhinho. Para uma consumidora de livros compulsiva, essa maldita “compra-com-um-click” na Amazon é realmente uma tentação, com tantas ofertas disponíveis. Contudo, ainda acho que o preço não é competitivo, ao menos para quem curte livros físicos. Enquanto a diferença não for gritante, o livro digital continua em desvantagem (para mim). Entre pagar R$30 por um livro em papel e R$20 pelo formato digital, eu não penso duas vezes antes de escolher a primeira opção.

O e-reader, por enquanto, ainda é para mim instrumento para leitura de livros que eu não pretendo adquirir em papel, de livros de leitura rápida – para filas e salas de espera -, e para degustação de livros que eu não tenho certeza se quero ou não o exemplar em papel (usando o recurso de amostras da Amazon). Eu, definitivamente, continuo preferindo o livro em papel. Pegar o livro, sentir a textura da capa e do papel, cheirar o livro, folheá-lo, são coisas que para mim fazem parte da experiência de ler um livro. São intrínsecas à leitura. Praticamente indissociáveis. Mas, porém, contudo, todavia… devo admitir que há vantagens no e-reader.

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20 comments on “Eu e o Kindle. O Kindle e eu.”

  1. Babi Lorentz disse:

    Eu achava que nunca iria comprar um e-reader e quando comprei, achei que fosse sempre pesquisar preços e pensar bastante antes de comprar um e-book, já que se a diferença fosse pequena, seria melhor ter o livro em papel na estante. HAHAHA, desisti. E espere que isso pode acontecer com você também.
    Enquanto um livro físico demora pra chegar pra mim entre 5 e 10 dias, o e-book chega na hora e já posso começar a ler.
    Havia prometido pra mim mesma que só compraria e-books de até 9,90. HAHAHA. Acabei de gastar com um de 16,00 e com outro de 19,00 e não me arrependo nem um pouco.
    Estou completamente apaixonada por esse bichinho.
    Beijos.

    1. Cristine disse:

      Oi Babi,

      Obrigada pela leitura e pelos comentários.
      Eu ainda sou bastante resistente ao e-book na hora de escolher o que comprar, birrenta mesmo hehe. Mas não nego que a facilidade de comprar e receber na hora seja um diferencial importante. Porém ainda não é decisivo, não para mim. Talvez se eu morasse numa cidade sem tantas livrarias “físicas” como em São Paulo, eu migraria de um para o outro muito mais rapidamente.
      Acredito que os dois ainda vão conviver aqui por um bom tempo, com certa desvantagem para o e-book 🙂

      Abs e boas leituras.

  2. Carissa disse:

    Acabei de comprar o meu. Ainda não estou com ele, mas acredito que vou adorar. Apesar de mar livros físicos, a praticidade do Kindle é maravilhosa.
    Também digo que não vou comprar livros de mais de R$ 9, 90. Acho caro para um e-book.

    1. Cristine disse:

      Oi Carissa

      Obrigada pela leitura e pelos comentários.

      Tb não tenho intenção de gastar mais de R$ 9,90. Até agora comprei apenas 3 ou 4, mas já tem mais de 50 no aparelho (para bom entendedor…).
      Considerando que, do valor do livro na vitrine, por volta de 50% é da loja, acho que o e-book tem de ser, no mínimo, metade do preço do livro em papel para eu achar justo. Não barato, mas justo.

      Abs e boas leituras. Espero que curta seu Kindle 😉

  3. Tânia Lamara disse:

    Confesso a vc que tenho as mesmas opiniões suas a respeito do livro físico e do ereader…….mas estou acostumando com ele (dia 30 faz 2 meses q comprei) e o meu primeiro livro que li no meu Kobo Glo foi O silêncio das montanhas e em seguida Inferno…..mas Amo o livro físico. …e à noite, não dispenso a leitura assim….mas é fácil se acostumar, pq é bom…..

  4. Tânia Lamara disse:

    Acho que não tem como não se apaixonar por ele….amo o meu Kobo Glo…..

  5. Cristine Tellier disse:

    oi Tânia

    Obrigada pela leitura e pelos comentários.
    Já estou me acostumando ao Kindle, é bem prático realmente. Apenas não me imagino lendo livros menos descompromissados, ao menos por enquanto. Mas é tudo questão de hábito.

    Abs e boas leituras.

  6. Tânia Lamara disse:

    Com certeza Cris…..eu como bibliotecária jamais me imaginei gostando de livros que nao fossem físicos. …..mas confesso mesmo que é fácil demais e a facilidade – na maioria da vezes – nos conquista. …

  7. Tânia Lamara disse:

    Ahhhhh…..estou lendo meu 8° livro…

  8. Soube deste artigo pelos comentários do episódio 29 do Ghost Writer e partilho de sua inquietação com os livros digitais. Leio no Galaxy Tab, tanto os livros do Kindle, quanto da Kobo, e o motivo principal que me levou a este tipo de mídia, em detrimento ao papel, é o espaço físico ocupado pelos livros, que tem se tornado mais restrito na minha estante. sem previsão de aumentar. E algo que notei, foi que para a compra de coletâneas de contos (especialmente as de ficção científica e leitura fantástica) que são diversas, é muito vantajoso comprar o eBook, pois já comprei coletâneas caras em papel que gostei de metade dos contos, e além do baixo preço, algumas editoras oferecem a opção de comprar os livros avulsos.

    Tenho me debruçado em meu blog mais na questão técnica de produção, e das diferenças dos formatos, inicialmente pensando em livros de RPG que são “mais técnicos” (no sentido de muita formatação diferenciada e uso extenso de tabelas e figuras) e acredito que este é o principal entrave hoje, pois já comprei alguns eBooks de grandes editoras com formatação quebrada ou o problema da capa dupla do Kindel. Se quiser dar sua opinião tenho discutido a questão das tabelas (http://alemdaimaginacaorpg.wordpress.com/2013/07/11/tabelas-em-ebooks-de-rpg/) que tem afastado a produção de livros mais técnicos, como os didáticos, e estou fazendo um levantamento dos dispositivos e softwares de leitura utilizados (https://docs.google.com/forms/d/1M-e0JJZ_aMP82uiZDb9cM7opKl4VGsnGc4aH4VYJ4UQ/viewform – sei que é um Jabá duplo, mas agradeço se puder divulgar esta pesquisa), para levantar soluções para o problema. Findando agosto, vou publicar os dados no Além da Imaginação.

    Por fim, acho que este saudosismo com o papel é o mesmo que viu-se na trasição do CD para o mp3 e da foto em papel para a digital. Quando os formatos pararem de concorrer, a praticidade de se carregar e ler um eBook vai se sobrepor ao saudosismo.

    1. Cristine disse:

      olá Chico
      Obrigada pela leitura e pelos comentários.

      Concordo quanto às coletâneas. Essa possibilidade de adquirir contos avulsos – depois de ler uma amostra, o que é outro benefício – é extremamente vantajosa. E há vantagem tanto para o leitor, que pode adquirir apenas os contos que o interessam, quanto para o autor, que pode prescindir de uma editora e se autopublicar. Vide o Douglas, que está publicando pela Amazon (Como Publicar no Kindle Amazon).
      Sobre os livros técnicos (no sentido que vc usou), acredito que o problema com a formatação deva-se principalmente ao fato de as editoras encararem com certo descaso a mídia digital, achando que basta apenas converter o arquivo de .indd (do InDesign) para .mobi, .epub e similares, sem qualquer tratamento adicional. E não é bem assim.
      E, enfim, sobre o saudosismo, não acho que sejam formatos concorrentes. Assim como ainda hoje há usuários, fãs e colecionadores de discos em vinil e fotografias em papel, os fãs de livros impressos persistirão convivendo com o digital, sem qualquer problema.

      Abs e boas leituras.

  9. Se pensar que está comprando um livro que nunca suja,mofa,rasga,que nunca estraga de nenhuma maneira e que nunca precisará adquiri-lo novamente(ahh quando meus favoritos estragam :/ ) e que sempre poderá lê-lo em qualquer lugar desde que com um leitor…talvez o preço não seja assim tão abusivo.

  10. Cristine Tellier disse:

    Olá Vítor,

    Concordo que tenha essas vantagens sobre o livro em papel. Mas ainda assim não considero o preço competitivo o suficiente para conquistar os que preferem o "jeito antigo".
    Levando em consideração que de 50% a 60% do preço de capa (livro em papel) é da livraria, para garantir os lucros e cobrir os custos (principalmente com transporte, distribuição e armazenamento), a diferença de preço irrisória praticada atualmente é questionável.

    Obrigada pela visita.
    Abraços e boas leituras.

  11. Luiz Marcatto disse:

    Oi Cris! Eu comprei meu Kindle (o meu é um paperwhite) em 2013 e no começo achei estranho, mas com o tempo você acostuma. Pra mim a maior vantagem é realmente poder ler livros gigantes sem problema nenhum. Pra viajar então é uma maravilha, ne? Eu sempre levava uns 5 livros, agora é só o Kindle, haha. Ó, pra converter PDF e TXT tem um jeito mais fácil: você pode mandar o arquivo pro seu email @kindle.com diretamente, e é só colocar no assunto do email "Convert" e deixar o corpo da mensagem em branco. Ele converte pro formato kindle sozinho em pouquíssimos minutos e te deixa usar as mesmas funções de sempre. Só não funciona em pdfs com senha, mas aí você pode tentar usar outros softwares pra desbloquear. Eu falei sobre o meu Kindle aqui: http://www.literar.com.br/kindle/

    Beijos e boas leituras 🙂

  12. Cristine Tellier disse:

    Oi Luiz,
    O ser humano se acostuma com tudo, até com o Kindle 🙂
    A portabilidade é realmente a maior vantagem. Afinal, ler "Game of thrones" no metrô é muito melhor se for no Kindle.
    Descobri sobre a conversão ao enviar o email depois de escrever o post. Mas mesmo assim, obrigada pela dica. É super valiosa.

    Abs e boas leituras.

  13. Oi adorei…muito obrigado, me fez se interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reversoescrito pelo autor Darlei… se trata de um livro arrebatador…ele coloca em
    cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de
    forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar
    verdades sobre Jesus jamais mencionados na história…..acesse o link da
    livraria cultura e digite reverso…a capa do livro é linda
    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

  14. Cristine Tellier disse:

    Olá Juliano,
    Obrigada pela leitura.

    Abraços e boas leituras.

  15. Daniele Andrade disse:

    oii cris eu preciso muito de uma opinião, vi que você tem a capa que ilumina usando a bateria do kindle vale a pena? Gasta muito a bateria do kindle? vicia? quero comprar mas sem essas respostas fica difícil…

  16. Cristine Tellier disse:

    Olá Daniele
    Não me arrependi da compra. Não chego a usar muito a lâmpada, mas qdo uso não percebo mta diferença na duração da bateria, talvez um ou dois dias a menos.
    Espero ter ajudado.

    Abraços e boas leituras 🙂

  17. Daniele Andrade disse:

    Cristine Tellier obrigada 🙂

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