Risque e rabisque

28 de março de 2012
in Category: Devaneios
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Risque e rabisque

Risque e rabisque

Há certos dias em que um assunto insiste em retornar à superfície do pensamento, por mais que se tente deixá-lo de lado. Talvez, justamente por tentar colocá-lo para escanteio, ele teime em voltar à baila. E não houve jeito, entreguei os pontos, rendi-me à sua insistência percebendo que só teria sossego quando expusesse minha opinião. (E ainda há gente que duvide que blogueiros são seres malucos por natureza).

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Bom, antes de mais nada, o gatilho. Sou o tipo de internauta (a palavra é feia, mas não há outra denominação melhor) que tem o hábito de vaguear a esmo de um site a outro – menos do que gostaria e mais do que deveria. Diversão que por muitas vezes me levou a descobrir tanto sites muito interessantes quanto outros bem dispensáveis. No último final de semana, um clique me levou a um site – não vale a pena mencionar qual – e detive-me nele para ler alguns posts. Parei logo no primeiro, impossibilitada de continuar pela extrema má qualidade do texto. Conseguem imaginar um texto em que há dois ou mais erros em cada parágrafo? Alguns nitidamente refletiam pressa na digitação, mas outros… prefiro nem citar. Sinto náuseas só de lembrar – drama mode ON.

Comentei minha indignação e irritação com meu leitor/ouvidor de plantão. “Ah, mas são erros perdoáveis”, disse ele. E eu discordei, e continuo discordando. Eu escrevo e sei que erros acontecem, por mais cuidadosos que sejamos. Um ou outro erro perdido no texto é aceitável. Afinal, ninguém é prefeito – ops! perfeito. Mas uma sucessão deles não é falta de atenção ou pressa de escrever, é pura negligência.

Bem, deixei o assunto de lado, acreditando que de um dia para outro ele se esgotaria por si só. Lêdo engano. Dois textos lidos ontem, reavivaram o tema em minha mente. Primeiro, um post do Pablo Villaça no Diário de Bordo com pouca, ou nenhuma relação direta com o assunto – Prisioneiro de quem sou. Depois, um texto no Livros e afins que tinha tudo a ver com a minha indignação com aquele outro texto crivado de erros – Textos são cartões de visita. Pensei, por um momento, que tudo o que eu queria dizer sobre o assunto estava ali, mas não. Ainda faltava eu relacionar as ideias contidas nos dois textos. Um dos parágrafos no post do Villaça chamou-me a atenção, em especial, uma frase: “Tenho orgulho de meu intelecto, de minha cultura e do que escrevo”. Também me sinto assim, e não há como me orgulhar do que escrevo se não o fizer bem feito. O que me leva ao outro texto, pois o que eu escrevo me representa perante quem me lê: “(…) um texto que tem a nossa assinatura nos representa”.

reescritaSei que o importante é conseguir comunicar as ideias, mas um texto repleto de erros certamente terá o efeito de afastar o leitor ao invés de aproximá-lo de quem o escreveu. Erros são aceitáveis… até certo ponto. Aliás, há inclusive os propositais, que servem ao contexto do que está sendo escrito. Porém, entendo que há uma linha em que o erro deixa de ser descuido, falta de atenção para se tornar desleixo. Dá a impressão de que quem escreveu foi totalmente negligente e nem se deu ao trabalho de reler antes de tornar público. Atitude que, no meu entender, demonstra um grande desrespeito com o público leitor. Fico pensando, ao ler um texto assim: “Se quem o escreveu sequer revisou, talvez signifique que não faz questão de ser lido, ou que pouco importa quem leia, ou que pouco importa a opinião de quem lê. Então, para que lê-lo?”.

Onde se escreve, ou melhor, em que situação o texto será lido faz diferença. Num bate-papo num chat, num email informal, naturalmente a tolerância é maior. Em um texto que será publicado e lido por várias pessoas, num email formal, nem tanto. Admito, sou maníaca no que diz respeito ao que escrevo. Sim, eu fico aflita ao escrever distraidamente algo incorreto – que é prontamente corrigido logo que o percebo. Mas, mesmo que não fosse assim, por respeito ao leitor e também, logicamente, para meu respaldo, eu faria a revisão antes de publicar o que quer que seja. Afinal, além de ser meu cartão de visitas, ninguém é obrigado a ler um texto “mau” escrito.

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