Não Durma no Ponto!

20 de outubro de 2009
in Category: Crônicas
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Não Durma no Ponto!

Quando criança e dormia muito e tranquilamente, ao ouvir falar de quem sofria de insônia, achava que talvez fosse isto mais útil e divertido do que necessariamente um problema. Afinal de contas, seria um tempo extra que poderia ser aproveitado para qualquer outra coisa.

Hoje, entretanto – sobretudo após a segunda noite acordando as 3 da matina – a coisa não parece mais tão divertida assim.

Minha filha hoje colaborou com sua perene vivacidade. Tenho de reconhecer que ambos meus filhos tem uma determinação incrível quando querem alguma coisa. A guriazinha (quase sete meses) simplesmente não parou de reclamar enquanto não lhe fora dada a atenção que requerida. E o pai, dentro de suas obrigações, tem de considerar que dormir é algo irrelevante em relação aos desejos e necessidades da pequena princesa.

Então levantei, com meu habitual mau-humor multiplicado pelo algoz do sono. E ao pegá-la a danadinha abre o mais magnífico e fulgurante sorriso banguela que se pode ter nessa vida. É de trincar os ovos.

Ter filhos é realmente viver sentimentos totalmente paradoxais. Aflição, agonia, raiva, paixão, amor, carinho, saudade, dor, alegria… Uma mistureba infindável de sensações que abrangem esta pequena palavra de três letras (pai ou mãe), uns de forma tão intensa e constante, outros em rápidos altos e baixos.

E, falando em sentimentos contraditórios, lembrei-me do casal Nardoni, acusados de matar e atirar a própria filha/enteada pela janela do sexto andar. Notei que durante todo processo acusatório e de perícia sobre o caso, a imprensa atuou de forma implacável, não deixando que o telespectador tivesse outro ponto de vista que não a culpa do casal.

Obviamente que – principalmente sendo um pai recente como o era – minha exasperação com o caso causava tanta indignação quanto a todos. Não obstante, sempre houve uma pulguinha atrás da minha orelha sobre os motivos pelos quais a imprensa (cuja atuação deve ser, em minha opinião, sempre imparcial) era tão acusativa e especulativa sobre o caso. Nunca cheguei a sentir-me confortável com isto. Afinal, não seria a primeira vez em que informações tenham sido distorcidas para que a verdade fosse mascarada ou invertida pelos meios de comunicação. Tão pouco seria improvável que evidências e cenas de crimes tenham sido maculadas para acusar alguém. (Lembram da família de caseiros que foi chacinada na frente dos filhos por policiais civis? Acusados de traficantes de drogas que nunca foram encontradas?)

Não me entendam mal. Não estou absolvendo ninguém, mas também não estou condenando. Meu ponto é: Por que tanta incitação por parte da imprensa em acusar o casal Nardone com provas relativamente dúbias, enquanto outros crimes criminalmente comprovados tais quais do nosso amiguinho para sempre, Sarney, parece apenas peripécias cômicas de um velho senil? (Desculpem-me se os crimes parecem desconexos, mas o suposto assassinato da menina é para mim tão equivalente a esse estupro ao bom senso da população. )

Em fim, talvez eu seja ingênuo em acreditar que o pai desta menina fomentava por ela os mesmo sentimentos supracitados, como sempre fora dito em entrevistas pela própria mãe da vitima e ele realmente seja uma besta monstruosa, ajudado pela bruxa maligna das trevas que é a madrasta.

Talvez um momento de raiva tenha sobrepujado todo amor e ele tenha cometido um ato de um pai fora de si. Talvez ele seja um psicopata como a moça da novela. Sei lá. Julgar é fácil. Difícil é ser julgado. Inda mais por uma população inteira, embasada em todos os “fatos” apresentados por uma imprensa que assina dizendo “la garantia soy yo”.

À propósito… Sobre o caso Nardone, tem-se ouvido falar na TV – de forma bem sutil, assim como quem não quer nada – que “talvez”, “quem sabe” a polícia passou a considerar a hipótese de acidente e não assassinado… hum… estranho, não? Já não estava tudo tão certo e evidenciado?
Bem, quanto aos meus filhos, fico satisfeito em saber que terei minha vingança quando eles tiverem seus próprios filhos. Tão saudáveis e arteiros quantos eles. E eu serei aquele avô sempre presente, que vai ensinar todo tipo de traquinagem e safadeza a ser aprontada! Mmmhuá, huá, huá, huá, huá! (risada macabra)

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