8 Dicas de um gênio da escrita para ter sucesso escrevendo

17 de setembro de 2019
in Category: Dicas, Escrita
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8 Dicas de um gênio da escrita para ter sucesso escrevendo

8 Dicas de um gênio da escrita para ter sucesso escrevendo

»» versão do artigo “8 Tips for Writing Success from a Writing Genius”, escrito por Fred Johnson, publicado em 13/04/2017 no site Live Write Thrive ««

David Foster Wallace (1962­–2008), falecido recentemente, é reconhecido há muito tempo como um gênio literário por aqueles qualificados para decidir essas coisas. Seu livro de 1996, Infinite Jest (N.T.: Graça infinita, publicado pela Companhia das Letras em 2014, com tradução de Caetano Galindo), surpreendeu os críticos pela sua complexidade, seu estilo inimitável, sua extensão absoluta. E seus outros livros, assim como seus ensaios, contos e obras de não-ficção têm sido enaltecidos como trabalhos de originalidade e conteúdo surpreendentes.

Seria insensato tentar imitar o estilo idiossicrático de Wallace, mas sem dúvida é uma boa ideia ouvir o que esse gigante da literatura norte-americana tem a dizer sobre escrita e produtividade.

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Então, sem mais delongas, aqui estão as 8 dicas de Wallace para fazer de você um escritor melhor.

  1. Preste atenção
  2. Esta dica soa óbvia o suficiente, mas Wallace não está apenas sugerindo que você preste atenção enquanto escreve seu livro – você tem de estar vigilante o tempo todo. Observe como as pessoas se comunicam, leia o máximo que conseguir (quando conseguir), preste atenção “à forma como as frases são encadeadas, como os trechos são adicionados, como as sentenças formam um parágrafo”.
    Wallace acredita que os melhores autores de ficção gastam boa parte de seu tempo simplesmente observando os outros e olhando para o mundo, tentando entender seus processos.

  3. Mantenha um dicionário por perto
  4. Para os que estão familiarizados com o trabalho de Wallace, esta dica não é uma surpresa – Wallace é conhecido hoje por sua navegação habilidosa pela linguagem e suas frases cuidadosamente elaboradas e excepcionalmente ricas.
    Mas mesmo escritores de prosa mais minimalista não deveriam assumir que conseguem ficar sem um dicionário – a língua inglesa ostenta quase duzentas mil palavras, e um escritor deveria ser suficientemente curioso para ter prazer em descobrir novas formas de se expressar. Como diz Wallace:

    “Para reconhecer que você precisa usar um dicionário de expressões idiomáticas, você tem de estar prestando atenção à sua própria escrita em um nível que poucas pessoas fazem… Para mim, o grande trio se compõe de um grande dicionário, um dicionário de expressões idiomáticas e um dicionário de sinônimos (…) Não consigo reter e me mover com agilidade suficiente na linguagem para prescindir dessas fontes extras.”

  5. Tenha como objetivo “escrita sem esforço”
  6. Esta dica não quer dizer que você deve se deitar e não se incomodar em fazer qualquer esforço para escrever (se fosse assim tão fácil!), mas sim sugerir que um leitor não deve ter de se esforçar para ler seu texto. Vinda do autor de Infinite Jest, com suas mil páginas cheias de notas de rodapé, esta dica parece um tanto hipócrita.
    Ler “escrita sem esforço” é fácil na mesma medida que “ouvir um incrível contador de histórias falar alto não requer esforço para prestar atenção. Considerando que, quando está entediado, você tem consciência de quanto esforço é necessário para prestar atenção”.
    Qual melhor jeito de fazer isso? Seja evocativo, atento e articulado. Entenda o que faz as pessoas avançarem, evoque os sentidos de seus leitores e evite linguagem floreada e pretensiosa. Leia o máximo que puder!

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  7. Escreva seu primeiro rascunho à mão
  8. Esta dica tem a ver com a insistência de Wallace de que escritores precisam prestar atenção. Escrever à mão, como Wallace sugere, reduz a velocidade do processo, o que significa que o escritor tem mais tempo para pensar naquilo que está fazendo.
    Os dois ou três primeiros rascunhos são sempre à mão… Posso digitar bem mais rápido do que escrevo. E escrever me faz desacelerar o suficiente para me ajudar a prestar atenção.
    Sendo um digitador teimoso, é algo que estou ansioso para testar. Talvez o sucesso esteja a apenas um papel e caneta de distância.

  9. Não se esqueça do leitor
  10. Escrever, mais que qualquer outra coisa, é sobre comunicação. Comunicar efetivamente significa esquecer de si mesmo por um momento e lembrar que seus leitores são seres humanos que não te conhecem, que não te acham intrinsecamente interessante e que não podem ler sua mente. Eles têm suas própias esperanças, medos, opiniões e dúvidas. De alguma forma, como escritor, você tem de alcançá-los e tocar algo dentro deles. Nesse sentido, Wallace sugere que escrever bem é mais sobre espírito do que sobre intelecto:

    “Espírito significa que eu nunca esqueço que há alguém do outro lado da linha, que eu devo a essa pessoa certa fidelidade, que estou enviando a essa pessoa todo tipo de mensagens, e que somente algumas delas tem a ver com o conteúdo real que estou tentando transmitir.”

    Wallace vai ainda mais além. sugerindo que o escritor não pode assumir que os leitores automaticamente irão achar sua escrita tão fascinante quanto ele acha:

    “Não sou, por dentro ou por fora, interessante para um leitor. Se quero parecer interessante, há trabalho a ser feito para atingir esse objetivo.”

  11. Não se preocupe tanto com talento
  12. A questão sobre o talento nato ser mais importante que uma condução tenaz tem sido debatido por escritores, artistas e criativos de todos os tipos durantes séculos. Wallace abordou isso, sugerindo que, apesar de o talento garantir uma vantagem aos escritores, ele não é tudo – se você vai ser bem sucedido, terá de trabalhar, não importa quão talentoso seja. Escritores talentosos, diz Wallace, “nem sempre são os melhores escritores pois além disso é preciso muita prática. Escritores realmente realmente talentosos captam as coisas mais rápido, mas geralmente têm de lidar muito mais com o ego investido no que escrevem”.
    Ele continua, tranquilizando aqueles entre nós que não podem ser considerados “muito muito talentosos”: “Boa escrita não é uma ciência. É uma arte, e o horizonte é infinito. Você sempre pode melhorar.”
    Bem, agradeça aos céus por isso.

    escritor

  13. Procure expressões da moda e clichês
  14. Esta dica retorna à afirmação anterior de Wallace, sobre o dicionário ser o melhor amigo do escritor. Escritores devem tentar comunicar o que querem dizer usando a linguagem mais adequada para isso, não a linguagem da moda, clichê ou a mais utilizada.
    Isso, em parte, é a chave para cultivar uma voz única do escritor e para elaborar prosa original. Wallace afirmou:
    “Quanto mais atenção se dá, mais se é imune aos piores excessos de palavras da moda ou gírias. O que eu penso é que, de certa forma para muitos ouvintes ou leitores, se você usa muito isso, você dá impressão de ser uma ovelha – alguém que não pensa, mas repete.”

  15. Não busque a perfeição
  16. Um dos motivos mais comuns dos aspirantes a escritor não conseguirem começar é o medo de produzir algo imperfeito. Sendo eu mesmo um perfeccionista, esta dica soa especialmente verdadeira para mim.
    Escritores, de Zadie Smith a Neil Gaiman, alertaram sobre perfeiccionismo, e Wallace adiciona que escritores que estudaram literatura ou escrita criativa têm de estar ainda mais cientes das falhas em seu trabalho.
    Apesar de isso ser desencorajador, a longo prazo é uma boa coisa: “Se não estou ciente das minhas deficiências, não trabalharei duro para tentar superá-las.”
    Wallace não dá uma solução para o perfeccionismo, mas simplesmente sinaliza que “como qualquer tipo de arte infinitamente rica, ou qualquer mídia infinitamente rica, como a linguagem, as possibilidades de progresso são infinitas assim como são as possibilidades de estragar tudo e deixar de ser bom do modo como você deseja.”
    Em outras palavras, você vai falhar, você vai ter sucesso – apenas tenha certeza de que está fazendo algo. Palavras para sua vida.


O autor:
Fred Johnson é editor na Standout Books, onde ajuda autores a transformar manuscritos bons em perfeitos. No seu tempo livre, escreve poesia ruim e se preocupa com o futuro.
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