Não largue seu emprego para perseguir seu sonho

19 de abril de 2016
in Category: Dicas
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Não largue seu emprego para perseguir seu sonho

Não largue seu emprego para perseguir seu sonho

(Em vez disso, faça o seguinte)

»» versão do artigo “Don’t Quit Your Job to Chase Your Dream (Do This Instead)”, escrito por Jeff Goins, publicado em 15/04/2016 no Linkedin ««

Há não muito tempo, meu amigo Bryan largou seu trabalho corporativo como escritor técnico em uma das empresas da Fortune 500 para fazer algo novo.

No seu último dia, todos no escritório expressavam um misto de inveja e surpresa. Não podiam acreditar que ele estivesse saindo, que ele estivesse dando tamanho passo. Mas a verdade é que Bryan vinha planejando esse momento há 10 anos.

Dê uma boa olhada na maioria dos livros de negócios na sua estante, ouça um guru de autoajuda nostálgico sobre a história de sua própria carreira, ou visite um colega de colégio que se deu bem por seus próprios meios e você provavelmente ouvirá a mesma frase repetidamente: “Eu dei uma guinada.”

Essa é uma frase que adoramos repetir quando falamos de grandes sucessos. É uma história de risco e recompensa, que ouvimos frequentemente da boca de ricos empreendedores, estrelas de cinema e artistas bem-sucedidos. Mas é uma mentira.

leap of faith

Grandes mudanças vêm devagar

Perguntaram-me recentemente em um podcast como me tornei um escritor em tempo integral. O entrevistador queria saber como foi minha grande virada.

– Não houve uma – eu disse. Nada grandioso. Apenas um punhado de pequenas coisas no decorrer do tempo.

Por muito tempo, isso me incomodava. Não tive um momento Jerry Maguire, nenhuma declaração para o mundo, que mudou tudo. Mas quando comecei a observar o sucesso mais de perto, percebi o quanto a estratégia devagar-e-sempre é mais comum do que percebemos.

Em 1975, Bill Gates fundou a Microsoft. Mas foi apenas seis anos depois que conseguiu um contrato com a IBM. Então, passaram-se outros cinco anos até a companhia se tornar pública, fazendo de Gates um multimilionário, resultando no tão falado “sucesso da noite para o dia”.

Para Steve Jobs, demorou ainda mais. Ele iniciou a Apple Computer com Steve Wozniak em 1976, mas não se destacou até 1984, quando lançou o Macintosh. Então houve sua eventual expulsão e seu retorno – tudo antes de seu negócio se tornar o gigante global que é hoje.

Uma terceira história bem conhecida em TI, apenas para balizar: os fundadores do Google, Larry Page e Sergye Brin, chegaram ao sucesso lentamente também. Iniciaram a companhia em 1996, e foi apenas oito anos depois que seu motor de busca bateu antigos concorrentes, permitindo finalmente que o Google abrisse o capital com uma capitalização de 23 bilhões.

Isso é consistente com o que o pesquisador K. Anders Ericsson chamou de teoria da “prática deliberada” e com a “regra das 10 mil horas” que Malcomlm Gladwell popularizou subsequentemente. Em sua pesquisa, Ericsson argumenta que para alguém se tornar expert em sua área, são necessárias no mínimo 10.000 horas de prática. Em outras palavras, antes de você largar seu emprego ou fazer uma transição de carreira, gaste tempo construindo as habilidades necessárias para fazer bem seu trabalho.

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Como grandes mudanças dão errado

Ainda hoje em dia – talvez até mais que antes com o aumento incessante de startups populares de tecnologia e com a facilidade de iniciar um negócio online – estamos obcecados com a virada.

Por quê? Porque parece que é o que vemos ao nosso redor: assumimos que grandes carreiras se produziram pois uma pessoa extraordinária fez uma grande aposta que valeu a pena. Não é assim que funciona a maior parte do tempo.

Dr. Robert Maurer, autor de One Small Step Can Change Your Life (N.T.: “Um pequeno passo pode mudar sua vida”), argumenta que amamos a ideia de uma grande mudança, mesmo que nos prejudique. Mas esse não é a forma que a inovação acontece. Um dos motivos é que nosso cérebro é pré-programado para rejeitar grandes mudanças. Veja o que ele explicou em uma entrevista:

“O cérebro responde a grandes desafios ativando a amídala, o centro de medo do cérebro. Se o desafio é tido como grande demais, ou se a pessoa hesita, o medo se torna incapacitante e a pessoa desiste, frequentemente com desespero e autocrítica. Se os passos são pequenos, o mecanismo do medo fica quieto e o cérebro desenvolve novos hábitos a partir da repetição de pequenos passos.”

Maurer defende o uso do kaizen, o processo japonês de melhoria gradual e contínua. Em vez de tentar perder peso, se exercite um minuto por dia, depois dois, depois três, e assim por diante. Com o tempo, algo pequeno pode se tornar extenso e sustentável.

Como Aristóteles já havia observado: “Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito”. Se você faz algo por tempo suficiente – qualquer coisa, sério – torna-se natural.

small steps

Em vez de dar a guinada

Então como colocar em prática o conselho de Maurer?

Primeiro, comece pequeno – realmente pequeno. A maioria das pessoas acha que para começar algo grande tem de pensar grande. Mas não é verdade. Todo dia, pessoas perseguindo seus sonhos cometem esse erro. Eles miram a lua sem darem o primeiro passo. E como resultado, falham.

Segundo, construa o hábito no decorrer do tempo. Tudo, desde ioga até mecânica de automóveis, precisa de prática. E quanto mais você trabalha nisso mais fácil fica. Hábitos deixam tudo mais fácil e nos tornam melhores.

Finalmente, tenha em mente que, à medida que você constroi a habilidade, aumenta a demanda por ela. E eventualmente, o que você tem não é um salto precário, mas uma ponte firme que você construiu lentamente, deliberadamente no decorrer do tempo. Não, provavelmente não é uma boa história para Hollywood. Mas é bem mais provável que dure.


jeff-goinsJeff Goins é um escritor que mora com sua família em Nashville, Tennessee.
Ele é autor do best seller The Art of Work: A Proven Path to Discovering What You Were Meant to Do (N.T.: “A arte do trabalho: um caminho comprovado para descobrir o que você está destinado a fazer).
Siga-o no Twitter: @JeffGoins.


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