4 coisas que Star Trek pode ensinar sobre escrita

23 de setembro de 2013
in Category: Dicas, Escrita
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4 coisas que Star Trek pode ensinar sobre escrita

4 coisas que Star Trek pode ensinar sobre escrita

(tradução de artigo escrito por Thomas Smith, publicado originalmente no Writer’s Digest, em 28/06/2013)

Ao longo dos anos, tenho procurado o que meus cães podem me ensinar sobre escrita, o que Batman pode nos ensinar sobre escrita e hoje irei estender a tradição. Hoje usaremos as estrelas como guia.

Não, astronomia não.

Spock. Capitão Kirk. Capitão Picard. Bones. Os Ferengi. Capitã Janeway. E cada “camisa vermelha” da tripulação que partiu em missão e nunca retornou para casa.

É isso mesmo (deixa para a famosa música tocada no teremim), estamos falando de Star Trek. A lengendária saga espacial de Gene Roddenberry. E por que não? Star Trek tem lições fantásticas sobre o ofício da escrita.

star trek - fan art

(foto: http://www.fanpop.com/)

1a. Lição:
Camisas vermelhas da tripulação raramente tem vida longa

Aqueles que realmente acompanham Star Trek (em qualquer uma das versões) sabem que ser um camisa vermelha da tripulação (cores diferentes significam posições hierárquicas diferentes) é quase o mesmo que, vestido todo de vermelho, atravessar um campo cheio de touros batendo no traseiro de todos eles. Esses desafortunados camaradas morrem na maioria das vezes.

Então o que isso tem a ver com a escrita?

Você tem de identificar o similar literário dos camisas vermelhas.

Pegue os cada vez mais populares advérbios e adjetivos. Assim como Castor Oil (N.T.: óleo de rícino), com pouco se vai longe. Então, use-os com moderação.

Ações como “ela expôs”, “ele regurgitou” também devem ser abandonados na superfície do planeta alienígena envolto em fumaça. É perfeitamente OK (e geralmente preferível) que os personagens apenas digam algo. Ele disse. Ela disse. E não “‘Ele faz meu coração bater como um baterista furioso’, disse ela ofegantemente”.

Eca. Mate esse ‘qualquer-coisa-mente’ na hora (então sequestre a frase e envie um bilhete de resgate).

Outro camisa vermelha que merece seu destino é o que o “Marshall Plan for Novelists” (N.T.: bestseller escrito por Evan Marshall, amplamente usada por escritores para finalizar e publicar suas obras) descreve como Morse Code: a superutilização de pontos e travessões para pausar falas dos personagens. É um recurso usado por muitos iniciantes, mas como qualquer recurso tem suas limitações. Você não pode martelar pregos com uma chave-de-fenda, e uma solda é praticamente inútil para unir duas peças de madeira. Então vá em frente, e deixe os personagens terminarem suas frases.

Como disse Stephen King em seu ensaio “Everything You Need to Know About Writing – in Ten Minutes”: “Quando se trata de pessoas, o golpe de misericórdia é contra a lei. Quando se trata de ficção, é a lei.”

Isso funciona para não-ficção também.

Não se preocupe. Camisas vermelhas morrem por uma boa causa.

2a. Lição:
Audaciosamente vá onde ninguém jamais esteve

Sem muitos preânbulos aqui. Em vez disso, simplesmente: Encontre sua própria voz.

Um conhecido meu foi referenciado na crítica de um livro como o próximo Stephen King. Sua reação? “Não sabia que havia algo errado com o que temos agora. E se eu fosse apenas eu mesmo?“

Existe apenas um Jerry B. Jenkins, apenas um Peter Straub, apenas um Shakespeare, apenas um Ray Bradbury e existe apenas um ‘você’. É assim que funciona. Todo escritor é quem ele é, e ele tem (se fizer bem seu trabalho) uma voz única. Sua própria voz. Por que você deveria escrever como Brandilyn Collins ou Mike Dellosso? Já temos um de cada.

O fato é que há coisas que apenas esses autores conseguem escrever e há coisas que apenas ‘você” pode escrever. E a única forma de desenvolver sua própria voz é fazer seu trabalho.

Escreva.

Então escreva mais um pouco.
Audaciosamente vá onde nenhum homem ou mulher jamais esteve.

star trek - enterprise

(foto: Wikipedia)

3a. Lição:
Sempre superestime a duração de um trabalho, e pareça um herói ao entregar antes do prazo

Todo engenheiro em cada nave ou estação espacial do universo de Star Trek já disse “Capitão, vai demorar no mínimo nove horas para consertar o dispositivo cósmico de tolices.” E todo capitão já disse, “Nós não temos nove horas. Você tem uma hora e onze minutos antes que sejamos transformados em nuggets de frango.”

E todo engenheiro consertou a ‘válvula sônica destrambelhada’ em cima da hora e pareceu um herói.

Eles atingiram a meta. E essa é uma ótima estratégia para todo escritor que alguma vez se digladiou com palavras. Faça melhor que o prometido, e sempre dentro do prazo.

(Óbvio que há circunstâncias atenuantes. É a vida real, afinal. Mas essas situações devem ser a exceção à regra, e quando você perceber que precisa reajustar o cronograma, a primeira coisa a fazer é entrar em contato com seu próprio Kirk – o editor ou seu agente – imediatamente. Se você for um desses escritores que cumpre a maioria de seus prazos, quando estiver num aperto inevitável, editores e agentes darão um sorrisinho e dirão “Sei como é isso”, e elabore um novo cronograma factível.)

4a. Lição:
Às vezes, a melhor estratégia é atacar o problema

De vez em quando um projeto se torna tão instigante como assistir carpete bege apodrecendo. Ou uma tarefa dá mais trabalho do que o previsto. Algumas vezes o prazo está acabando e você está apenas cansado.

Não é hora de procrastinar. É hora de arregaçar as mangas, encher a caneca com café de alta octanagem e seguir em frente. Como o Capitão Kirk (em praticamente todo episódio) quando a sêmola (N.T.: no original, “grits”, que a grosso modo seria um fubá mais grosso, aquele utilizado para polenta. Na tradução, perde-se o jogo de palavras com o verbo “to grit” – ranger) atinge o ventilador: Algumas vezes você tem de ranger os dentes e correr na direção de vacas espaciais mutantes gigantes de nove tetas do planeta Bovinicus e deixar as fichas caírem onde puder. Afinal, você ajudou a criar o monstro.

Thomas Smith é escritor premiado, jornalista, produtor de jornais para tv, dramaturgo e ensaísta. Seus artigos publicados, contos, ensaios, perfis de celebridades e artigos de turismo aparecendo em inúmeros livros, jornais, revistas, incluindo Barbour Publishing, Adams Media, Group Publishing, Pocket Books, BarCharts Publishing, The PPI Group, Barnes and Noble Books, Borderlands Press e Zondervan Publishing.

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