Um cafezinho com Estevão Ribeiro

Dando continuidade à ideia de entrevistar escritores com o intuito de incrementar o material oferecido por nós aqui no blog, procurei o escritor/quadrinista Estevão Ribeiro, autor de A corrente (resenha aqui).

Antes de mais nada, conheça um pouco mais sobre o autor:

um cafezinho com estevão ribeiro

(fonte: http://acorrente.wordpress.com/)

Estevão Ribeiro teve sua primeira história em quadrinhos publicada no jornal Notícia Agora em 2000. Desde lá ele publicou mais de 1000 páginas de quadrinhos em produções autorais e diversas mídias e empresas, como CST, Vale, órgãos públicos e Maurício de Sousa Produções.

Em 2008, publicou seu primeiro livro: Enquanto ele estava morto, um romance autobiográfico; Em 2010, seu segundo romance A Corrente , um thriller sobre correntes de internet. Em 2011, seu primeiro livro infantil, O Livro dos Gatos.

Atualmente trabalha na livre adaptação para quadrinhos de duas obras: Da Terra à Lua, de Julio Verne, com elementos da obra audiovisual Viagem à Lua, de George Méliès, além da produção da tirinha Os Passarinhos.
(fonte: Facebook – Página de Estevão Ribeiro)


Cafeína: Qual vontade veio primeiro, quadrinista ou escritor? e como “descobriu” a vocação para ambos?

Estevão Ribeiro: O quadrinhista. Eu sempre fui fã de quadrinhos desde criança e naturalmente essa paixão por quadrinhos virou uma obsessão para o processo criativo, mas nunca fui bom em ilustração e constantemente precisava de parcerias.
Então, um projeto ficava mais complicado de se idealizar, porque é complicado convencer uma pessoa a apostar na sua história. Num romance você está sozinho, o investimento é totalmente seu, o risco também. A sua única barreira em um romance é você mesmo.


Cafeína: O Estevão quadrinista é muito diferente do Estevão escritor? ou melhor, vc assume personas distintas ao vestir um outro outro “chapéu”? e o escritor interfere na produção do quadrinista e vice-versa?

enquanto ele estava mortoEstevão Ribeiro: Não. Temos que lembrar que quadrinhos e literatura são mídias distintas, mas as duas são usadas para o mesmo fim: contar uma história. É inegável que uma pessoa precisa ter conhecimentos específicos sobre cada uma delas para fazer um bom trabalho, mas sobretudo a pessoa precisa saber contar uma boa história, e isso não se perde entre uma mídia e outra.

O escritor é sempre deixado de lado, infelizmente. Geralmente o quadrinhista ganha mais holofotes porque a produção de quadrinhos é mais dinâmica, no caso das tiras. Mas para fazer o roteiro e a arte de uma graphic novel de 72 páginas, por exemplo, gasta-se o tempo de fazer um romance de 300, 400 páginas. Aí o diferencial é: alguém está pagando pela história? Se não está, os dois trabalhos são tocados em dias e horários distintos, mas se alguém está pagando por um serviço ou outro, geralmente tem prioridade.

E os quadrinhos, atualmente, tem conseguido mais espaço na minha agenda.


Cafeína: De onde veio a ideia para A corrente?

Estevão Ribeiro: Eu havia recebido uma mensagem numa lista de ilustradores, ou seja, de pessoas que não deviam acreditar nisso, mas a mensagem que trazia era curiosa. O ilustrador em questão escreveu algo assim: “Eu não acredito nisso, mas vai que é verdade, né?”

Tomei um susto grande porque ali era o último lugar onde eu esperava encontrar uma corrente, então achei que aquilo, em pleno ano de 2003, rendia uma história. Terminei de escrever o livro em 2004, mas não gostei do resultado. Depois, visitei o livro em 2008, reescrevi algumas partes e o publiquei.


corrente_capa_frenteCafeína: Difícil não comparar o mote de A corrente com o filme O chamado. A comparação chega a te incomodar?

Estevão Ribeiro: De forma alguma. A idéia existia, o filme foi um desestimulante para eu não querer mexer na história, mas depois vi que isso era bobagem. O mote é o mesmo: uma menina e uma maldição. Dezenas de histórias de terror usam crianças e fantasmas como mote. Eu só engrossei o coro.

Além disso é uma história que se passa em Vitória, no Espírito Santo, minha terra natal. Só por isso vale a pena conferir.


Cafeína: Como foi o retorno da venda em formato e-book? atingiu a expectativa?

Estevão Ribeiro: Muito longe de atingir, como qualquer trabalho atualmente no Brasil. Ainda é tímida a venda de e-book, até mesmo Best Sellers, no topo das vendas online no país vendem cerca de 70 livros por semana. A Corrente foi beeeem menos que isso.


Cafeína: Pode descrever brevemente seu processo criativo? Faz fichas dos personagens, desenha-os, diagrama uma timeline da estória, faz storyboards?

Estevão Ribeiro:
» Nos romances: Eu geralmente desenvolvo a história numa grande sinopse, na ordem que o leitor vai ler, sem os diálogos. O que cada um faz, como a ação se desenrola até o final. Desenvolvo diagramas com as ligações dos personagens na trama para não se perder e vou consultando esses dados enquanto escrevo a história.

» No caso dos quadrinhos, eu faço o mesmo esquema, mas para culminar em um roteiro. A partir deste, eu esboço as páginas e as desenho.


os passarinhosCafeína: Tem alguma mania na hora de escrever?

Estevão Ribeiro: Por causa das redes sociais, tenho muita mania de ficar navegando pelas janelas, então acabei adquirindo o hábito de apertar as teclas Alt + Tab com freqüência, mesmo quando eu não tenho outras janelas abertas.


Cafeína: Conte um pouco da experiência de quadrinizar Da Terra à Lua, de Julio Verne. Qual o critério para decidir o que deixar de fora e o que obrigatoriamente deve estar nos quadrinhos?

Estevão Ribeiro: Da Terra à Lua tem sido um grande desafio para mim, porque a obra de Verne é curiosa e interessante, mas tem pouca ação. Criada para dar noções de física, química e geografia, o livro ensina tanto quanto conta uma história e nos quadrinhos isso correria um grande risco de não ficar legal.

Então precisei dosar bem as partes técnicas, mas ainda assim a primeira metade da história tem muito menos ação do que a segunda.

Outro detalhe: o álbum não é apenas uma adaptação, mas sim um mashup, uma mistura do livro do Verne e o filme de George Méliès, intitulado Uma viagem à Lua. No filme, o professor Barbenfouillis e seus amigos vão à Lua e enfrentam Selenitas, uma raça de homens-formigas. Com a mistura das histórias, os personagens de Verne e o protagonista da história de Méliès é que vão enfrentar os Selenitas. É uma abordagem bem diferente do que já foi feito com as duas histórias.


Cafeína: Tem algum projeto de livro em gestação? Se sim, pode contar um pouco do que se trata?

Estevão Ribeiro: Sim, o Rua M, 58, sobre um casal que tenta chegar a uma casa e é incentivado por pelo dono de um bar a não visitar o imóvel. Ele tenta convencê-los por meio das histórias que ele insiste em dizer que aconteceram por lá.

Três histórias do livro podem ser vistas por aí: “Ao Cortar os Cordões” está em forma de conto dentro do livro Geração Subzero (2012), da editora Record, outro em forma de curta-metragem com direção de André Vianco (sim, ele mesmo!) chamado “Saia do Meu Quarto”, e o capítulo “Aprovada”, está disponível num dos maiores blogs de terror do Brasil, o Medo B: http://medob.blogspot.com.br/2013/05/rua-m-aprovada-estevao-ribeiro.html


Cafeína: Se você estivesse abandonado numa ilha deserta, sem perspectiva de resgate, diga cinco livros que você gostaria de ter consigo.

Estevão Ribeiro: Peanuts completo, acho que são 5 edições! 🙂


Para finalizar, gostaríamos de agradecer imensamente a participação do Estevão e aguardamos ansiosos a publicação de Rua M, 58 e Da Terra à Lua.

Só mais um recado:
Devido ao encerramento da parceria do autor com a Editora Draco, os exemplares reminiscentes estão à venda diretamente com ele. Os livros podem ser adquiridos (devidamente autografados) por R$ 25,00 sem frete pelo e-mail vendas@ospassarinhos.com.br. Qualquer dúvida, há mais informações neste post: Dois livros, duas histórias, ambas online.

Contatos:
Twitter: @estevaoribeiro
Facebook: Estevão Ribeiro | A Corrente
E-Mail: estevao@ospassarinhos.com.br
Blog/Site: Eu rio muito | Os Passarinhos

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