Neve

4 de abril de 2010
in Category: Resenhas
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Neve

Neve

Neve
Orhan Pamuk
tradução: Luciano Vieira Machado

Desconhecia o autor antes de ver o livro na prateleira das livrarias. Aliás, certamente, apenas apareceu nessas mesmas prateleiras após o autor ganhar o Nobel de Literatura, em 2006. Depois disso, várias obras suas começaram a ser publicadas por aqui: Meu nome é vermelho, A maleta de meu pai, Istambul. Apesar de ter gostado de Neve, ainda não li nenhum desses. Minha lista de espera de livros – adquiridos e não lidos – já está gigante sem agregá-los.

neve

Apesar de abordar um tema espanta-leitores, não é preciso interessar-se por política para desfrutar o livro. A análise do emaranhado de facções políticas que dividem a Turquia contemporânea é bastante irônica e o enfoque dado ao golpe que ocorre na cidade enfatiza o tom burlesco desse drama político.

O narrador não é o personagem principal. Revelado apenas no final do livro, é um amigo de Ka que narra sua estória 4 anos depois de sua visita a Kars, descrevendo os acontecimentos baseado em suas anotações e cartas.

O título do livro merece um comentário, ou vários. “Neve” é o título de um poema que Ka (o personagem principal) irá escrever na noite do principal acontecimento da estória (um golpe político na pequena cidade de Kars). Aliás, o nome da cidade significa neve em turco. Ka estuda os flocos de neve e descobre que “a forma de cada floco de neve é determinada pela temperatura, pela direção e força do vento, pela altitude da nuvem e um sem-número de outras forças misteriosas”. Conclui que “as pessoas têm muito em comum com os flocos de neve”. E, durante a narrativa, a formação dos flocos reflete o estado psicológico do personagem.

orhan pamuk

Orhan Pamuk

Interesssante também é a forma de nomear os capítulos. O título é a frase ou fala mais marcante do capítulo. E o subtítulo é o nome real do capítulo. Apesar dos capítulos curtos, a narrativa é lenta. Em alguns momentos, no primeiro terço do livro, tive a tentação de pular algumas páginas. Mas passado esse início, o livro fica bastante interessante. Apesar de lenta, a narrativa é fluida, guia e incita o leitor a continuar lendo. Ótima opção para quem gosta de livros com pano de fundo histórico.
Vale a leitura.

“Dentro de vinte anos – em outras palavras, quando você tiver trinta e sete anos – você finalmente terá entendido que o mal do mundo – isto é, a pobreza e a ignorância dos pobres e a esperteza e dissipação dos ricos – e toda a vulgaridade do mundo, toda a violência, toda a brutalidade – isto é, todas as coisas que nos enchem de culpa e nos fazem pensar em suicídio – decorrem do fato de todo mundo pensar igual.”

Vale um Capuccino
4 out of 5 stars

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