Encarcerados, de John Scalzi

1 de Maio de 2020
in Category: Resenhas
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Encarcerados, de John Scalzi

Encarcerados, de John Scalzi

Encarcerados
John Scalzi
tradução: Petê Rissatti

“Um assassinato ocorre em um quarto de hotel em Washington. Junto à vítima está um homem banhado em seu sangue, que alega não ter sido responsável pelo crime. O caso logo se torna da alçada do FBI, pois envolve uma nova e especial classe de indivíduos. Os hadens são pessoas que, devido a uma síndrome, tiveram sua mente encarcerada em um organismo imóvel. Para viver em sociedade, eles transferem sua consciência para estruturas robóticas ou alugam o corpo de indivíduos saudáveis. A investigação desse assassinato leva agente Shane e sua parceira Vann não apenas a mergulhar no mundo dos hadens, mas a descobrir uma rede de interesses políticos e econômicos envolvendo sua cultura e seus veículos robóticos.”
(fonte: goodreads.com)

encarcerados

Apesar da “pegada” de ficção científica, a obra é, na verdade um thriller policial. A ficção científica é o pano de fundo e Scalzi, como sempre, a utiliza primorosamente a favor da narrativa. Scalzi cria um mundo distópico bastante verossímil. Com a tecnologia existente hoje, não é difícil imaginar sua evolução de modo a ser capaz de transferir a consciência de uma pessoa para uma estrutura robótica. Não há nada altamente improvável, que faça o leitor duvidar dos gadgets e tecnologias utilizadas pelos personagens.

Aliás, como sempre, os personagens são o ponto forte do livro. O autor tem a habilidade de construir personagens tridimensionais e sempre muito críveis – algo imprescindível para que o leitor se identifique e se importe com o destino deles. A sinergia entre a dupla de policiais remete a várias duplas famosas, seja da literatura, seja do cinema. Como sempre, são muito diferentes entre si, mas há algo que gera empatia – neste caso, o humor deles faz com que estejam sempre em sintonia. Os diálogos, como nos outros livros de Scalzi, são divertidos e cheios de ironia e humor. Um ótimo contraponto aos conflitos em que se encontram os personagens.

Importante destacar que, em momento algum, Scalzi dá detalhes sobre raça ou gênero de Shane. Vale a reflexão a respeito pois, devido a essa ausência de informação, por vivermos imersos em uma sociedade de hegemonia branca e patriarcal, somos levados a pensar que Shane seja um homem branco. Afinal, quando lemos, imaginamos como é cada personagem, mesmo que não em minúcios, mas em linhas gerais. E, por uma questão de esse ser o estereótipo dos filmes policiais, é o que acabamos “vestindo” em Shane. Mas, lá pelo último terço do livro, qual não foi minha surpresa ao descobrir que não era essa a descrição correta. E rolou aquele momento “rebobina a fita”, tentando lembrar se em algum momento o protagonista havia sido descrito da forma como eu o imaginara. Não só não havia, como o tradutor conseguiu disfarçar muito bem isso. Em inglês é mais simples, já que os pronomes não flexionam por gênero.

Apesar de o ritmo da narrativa acelerar na última parte da história, falta um pouco mais de tensão e o desfecho chega de forma abrupta, deixando o leitor com aquela impressão de “mas, e aí? é só isso?”. Mas não chega a desabonar a obra. Os livros de Scalzi – destaque para A guerra do velho – são uma ótima porta de entrada para a ficção científica, pois não são repletos de termos técnicos e os personagens são cativantes.

Vale um Macchiato
3 out of 5 stars

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spotify-logoEntrevista com o tradutor
7 LETRAS #09 – Papo Cabeça: Petê Rissati
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