Loja de Conveniências

18 de outubro de 2014
in Category: Drops, Parceria
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Loja de Conveniências

Loja de Conveniências

Loja de Conveniências
Guilherme Smee

Como um romance erótico às avessas, ‘Loja de conveniências’ é a história de um jovem que se deixa levar pela inércia até o momento em que é abordado por uma garota, que se dispõe a fazer dele seu ‘projeto pessoal’. Ante a expectativa da chegada do namorado dela, seu mundo vai se modificando aos poucos, e passa a viver num pós-apocalipse emocional. Com personagens que vagam sempre isolados e devastados, colocam-se em discussão o amor, o sexo e a culpa pelas escolhas que são (ou deixam de ser) feitas.
(fonte: quarta capa do livro)

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Esta noveleta marca a estreia de Guilherme Smee – roteirista, contista e quadrinista – na narrativa longa. Pendendo pro Young Adult e narrado em primeira pessoa, o livro conta a história de um estudante de cursinho que vê sua vida trivial e sem graça se alterar ao conhecer Heloísa. Morando no mesmo prédio que ele com o namorado, um traficante foragido, aborda-o dizendo que tinha sido escolhido como o “projeto pessoal” deles. Juntos, abrem a tal loja de conveniências do título – um comércio de medicamentos controlados – enquanto aguardam o retorno do namorado de Heloísa.

“Quer dizer que eles dois estiveram me observando pelo computador esse tempo todo. Não entendo no que eu sou tão especial para me escolherem. Quero saber por quê.
Porque a sua vida é chata. (ela é categórica).
Eu não tenho como contestar aquilo, então resolvo ficar quieto. Até porque depois que ouvimos uma coisa dessas o melhor é ficar quieto e não falar nada mesmo. Mas ainda me pergunto o que significa ser o projetinho especial dela e por que o namorado tinha de fugir da polícia e mais outras dúvidas que vêm à minha cabeça.”
(p.22)

A apatia dele contrasta com a animação dela com a perspectiva de colocar em prática seu “projeto pessoal”. E parte desse projeto consiste em tirar dele todo poder de decisão, decidindo tudo por ele – o que não faz tanta diferença assim, já que ele se achava dominado pela inércia, depois de uma decepção amorosa.

Apesar de pouco verossímil, e tendendo ao absurdo à medida que o final se aproxima, é interessante pela análise que o autor faz sobre a apatia do personagem. O quanto sua vidinha mais ou menos pode ser transformada – ou transtornada – quando alguém resolve tomar as rédeas dela para si? Até que ponto ele se deixará levar por decisões alheias? Até quando abrirá mão do seu livre-arbítro? Qual o limite da sua apatia? E o que sua falta de desejo sexual tem a ver com tudo isso?

Vale um Macchiato
3 out of 5 stars

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2 comments on “Loja de Conveniências”

  1. Cristine Tellier disse:

    Nós que agradecemos a oportunidade e a parceria 🙂

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