Boneco de neve

10 de novembro de 2013
in Category: Resenhas
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Boneco de neve

Boneco de neve

Boneco de neve
Jo Nesbø

“No dia da primeira neve do ano, na fria cidade de Oslo, o inspetor Harry Hole se depara com um psicopata cruel, que cria suas próprias regras; O terror se espalha pela cidade, pois um boneco de neve no jardim pode ser um aviso de que haverá uma próxima vítima. No caso mais desafiador da sua carreira, Hole se envolve em uma trama complexa e mortal, com final surpreendente.”
(fonte: primeira orelha do livro)


bonevo de neve - capa

O primeiro livro de Jo Nesbø que li foi A estrela do diabo, há cerca de um ano, durante uma viagem, e me deixou com vontade de ler mais “aventuras” do investigador Harry Hole. E, dia desses, fazendo hora na Fnac à espera do horário de um compromisso, vi-o na prateleira. Peguei-o, li a sinopse e, sem pestanejar, fui direto ao caixa. Sim, eu sei, minha prateleira de não lidos está lotada, não deveria adquirir mais um. Mas eu estava adiantada, precisava passar o tempo, ou seja, ótima desculpa para levar o livro.

boneco de neve - autor

Jo Nesbø (foto: Arvid Stridh)

Este é o sétimo livro da série escrita por Jo Nesbø, que conta até agora com dez volumes:

  1. The Bat
  2. The Cockroaches
  3. The Redbreast
  4. Nemesis
  5. The Devil’s Star
  6. The Redeemer
  7. The Snowman
  8. The Leopard
  9. Phantom
  10. Police

A vantagem é que os livros são independentes, tendo em comum apenas o protagonista, Harry Hole. Lógico que quem leu os primeiros estará mais familiarizado com o personagem e seu universo, mas é possível desfrutar da leitura mesmo iniciando “no meio”.

Comecei a leitura enquanto tomava café. Quando dei por mim, já estava quase no terceiro capítulo e prestes a perder a hora. É uma pena que esse início eletrizante e envolvente não perdure durante todo o livro. Diferente de A estrela do diabo, a narrativa tem algumas “barrigas”, se arrastando em alguns trechos. E há um agravante, este sim comprometendo um pouco a leitura. Todo leitor assíduo de literatura policial tem o hábito de tentar descobrir o culpado antes que o autor o revele – se for um livro do tipo “whodunit”, lógico. Não me excluo. Eu, inicialmente, tinha dois suspeitos, e um deles foi descartado bem antes da metade do livro quando tive certeza de que o criminoso era o outro. É óbvio que não me importo de ter essa sensação – ótima, aliás – de ser perspicaz o suficiente para interpretar as pistas e achar o culpado. Continuei a ler para confirmar minha suspeita, porém matar a charada assim tão prematuramente tira um pouco a graça.

As descrições das cenas dos crimes são bem detalhadas, sendo assim, pouco indicadas para quem não tem estômago forte. Essa riqueza de detalhes é um dos atrativos, principalmente para o leitor-investigador, já que várias das dicas sobre o criminoso podem ser obtidas a partir dos componentes do cenário e do estado em que são encontradas as vítimas. É interessante o modo como o autor conduz a análise das pistas, deixando o leitor com a mesma percepção do personagem – de que há algo ali que foi visto mas cujo sentido não foi apreendido corretamente, de estar deixando passar algo. Quem nunca saiu de casa com aquela impressão de ter deixado algo importante para trás? E essa sensação persegue o protagonista – e o leitor – durante toda a trama (ou quase toda).

Sobre os personagens, conforme dito na outra crítica, o autor aproveita-se da condição do protagonista – depressivo, obsessivo, recém saído de um relacionamento, evitando buscar consolo no álcool -, para abordar o reflexo de suas escolhas pregressas, tanto em sua vida pessoal e profissional, quanto na vida das pessoas que o rodeiam. Desta feita, já não

Enfim, é um ótimo thriller. Bem estruturado, sem nenhuma ponta solta. Não tão envolvente quanto A estrela do diabo, mas ainda assim cumpre muito bem a função de entreter e fazer o leitor queimar neurônios tentando solucionar o crime.

Vale um Macchiato
3 out of 5 stars

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