Arroz com feijão

8 de janeiro de 2011
in Category: Opinião
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Arroz com feijão

Arroz com feijão

(texto escrito em 24/04/2010)

Um amigo postou, dia desses, um texto sobre religiosidade, discorrendo sobre a comprovação (ou não) da existência (ou não) de um deus ou algo que o valha. Diferente dele, esse não é um assunto que me aflige ou atormenta. Apesar de ter passado minha vida escolar num colégio de freiras, bem cedo – por volta dos 12-13 anos – formei uma opinião a respeito e desde então não me preocupo mais com isso. Não é para mim, como para muitos, um assunto polêmico, sequer controverso. Aliás, tenho ojeriza a participar de qualquer debate mais acalorado sobre o tema. Não faço a menor questão de provar meu ponto de vista. Se necessário, exponho minhas idéias, mas não vejo qualquer necessidade de confirmar o que quer que seja.

arroz com feijao

É apenas mais uma opinião sobre algum assunto. Tal como conversar sobre o que é mais gostoso, arroz com feijão ou feijão com arroz – apesar de eu achar que quem coloca o feijão no prato por baixo do arroz deve sofrer de algum distúrbio mental grave e irreversível (rs). Assim como disse a esse amigo, a opinião que tenho sobre o assunto não influencia em nada o rumo da minha vida. Se se comprovar que minha opinião é a correta, muito bem. Se não, paciência. Assim como o fato de acreditar ou não que o homem já pisou na Lua. Eu acredito que sim. Mas se não pisou, whatever. A vida segue mesmo assim.

Talvez por não sofrer do mal que assola a grande maioria das pessoas – mal esse que faz com que acreditem que a vida deva ter algum sentido além do mundano, e que obrigatoriamente a existência de todo ser humano deva ter alguma importância – eu não compartilhe dessa necessidade de crer em algo apenas para preencher o que chamam de vazio interior. Não tenho pretensão alguma. No meu entender, a raça humana, assim como os demais seres vivos que coabitam nosso planeta, todos somos apenas um amontoado de células interessadas somente em passar seus genes adiante. Não há porque haver um significado imaterial para a vida.

gene egoistaEsse “sentido”, se é que pode ser considerado assim, há de ser o descrito com maestria no livro de Richard Dawkins, O gene egoísta. Subvertendo a importância dos organismos, Dawkins afirma e confirma que é o gene que comanda. É ele que determina o sentido da evolução, em busca da máquina de reprodução mais eficiente. A visão míope de que o ser humano é especial, simplesmente por estar no topo da curva evolutiva (concepção totalmente equivocada, aliás), é uma demonstração de soberba e arrogância ímpar. O homem é apenas um animal, indubitavelmente diferenciado dos demais pela inteligência, mas ainda assim, apenas um animal.

Falácia maior ainda é achar que por ser especial, partindo da falsa premissa de ter sido feito à imagem e semelhança de algo denominado divino, o homem tenha automaticamente senso do certo-errado, da moral, da ética. Bull shit! O ser humano é inerentemente egoísta – assim como o gene descrito por Dawkins e, provavelmente, por influência dele. O altruísmo é naturalmente direcionado apenas aos que partilham seus genes ou aos que contribuem para sua sobrevivência, ou seja, familiares e amigos.

senhor das moscasO comportamento natural do homem é exposto sem medo, falsos moralismos ou pudores no excelente O senhor das moscas, de William Golding. A selvageria na convivência de um grupo de garotos obrigados a sobreviver numa ilha deserta é o retrato fiel da natureza humana. Se nos dias de hoje, nas sociedades ditas civilizadas, esse comportamento praticamente inexiste não é por ser a essência da humanidade. Assim como tudo, é um comportamento aprendido, pois facilitada a vida gregária, a convivência, a sobrevivência. Não há nada de divino nisso.

Bom, é o meu modo de ver. E, assim como respeito o que pensam os demais, espero ter o meu pensamento respeitado. Certa ou errada, é a minha opinião. Mas absolutamente não me preocupo em confirmar ou não. Não me tira o sono nem me ocupa a mente de modo contumaz. Se há algo que me atormenta, certamente não é isso.

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3 comments on “Arroz com feijão”

  1. Bruno disse:

    Catequizar as pessoas não é tarefa nossa e ser catequizado é um saco.
    Acredito que Fé, religião e crença são relativas e pessoais. Quem crê em qualquer coisa deve ser respeitado, assim como que não crê em nada.

  2. Geraldo Felizardo disse:

    amar e respeitar a todos e dever de todas as pessoas, mas tudo aquilo que e verdade tambem tem que ser dito. chega de tanta mentira sendo falada e pregada por tantos mentirosos desse país,terminor o tempo da santa inquisição né ?

  3. Geraldo Felizardo disse:

    E dever de todas as pessoas amar e respeitar a todas as pessoas, mas quanto a verdade tem que sempre ser dita ok? o tempo da santa inquisição ja passou né ?

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