O conto Rua dos Timbiras, 216 fora publicado anteriormente no blog Amplexos Fraternos que anda meio empoeirado desde que surgiu o Cafeína Literária. Vi-me, naquele momento, num embate mental em relação a publicá-lo ou não.

Quando se é escritor e se decide expôr as suas ideias ao público, é preciso estar pronto para todo tipo de julgamento. É muito comum – sobretudo seus amigos e parentes – confundirem a forma de pensamento, de agir, os preconceitos, as obsessões de um personagem com as do autor. Para alguns, é difícil conceber que a mente que cria não necessariamente corrobora.

Obviamente que, sendo o personagem uma instância da psique esquizofrênica do autor, é provável que ambos compartilhem certos preceitos. Não necessariamente o segundo é conivente com o primeiro.

Entretanto, o dito cujo deu IBOPE. Muita gente comentou e veio falar sobre ele. Uns poucos criticaram, mas a maioria gostou. De forma que achei conveniente disponibilizá-lo à venda na Amazon. Eis um trecho:

Capa“Adentramos o corredor. As portas rompiam as paredes cadenciadamente. Sons escapavam pelas frestas: Gemidos, rangidos, estalos, batidas… O nosso quarto era mesquinho em limpeza. Tal qual a cama em conforto. O cheiro vulgar revelava os atos que ali sucediam hora após hora, dia após dia. Ele sentou-se indiferente aos ruídos da cama vergando. Seu paletó parecia estrangulá-lo como por vingança. Soltou-o e arfou. A escadaria já o havia deixado vencido. Seus olhos vulgares e miúdos não exergavam mais do que minha bunda.”

Como podem observar, este conto não deve ser lido por menores de 1m50cm. Isso inclui meus filhos e minha mãe.

Espero que, em épocas de tons de cinza, ele traga algumas cores ao seu dia. Senhoras e senhores, pela bagatela de R$ 1,99, lhes apresento:
Rua dos Timbiras, 216