8 de janeiro de 2011, 10:02 - Cristine
Queimando livros    sem comentários

O pêndulo de Foucault

O pêndulo de Foucault
Umberto Eco

Na verdade, a não-indicação aplica-se a todos os livros de Umberto Eco depois de O nome da rosa. Imagino o quanto seja difícil produzir outra obra-prima à altura desse livro. E a expectativa criada a cada novo livro nunca joga a favor, pois sempre se espera que o próximo supere a qualidade do primeiro. Se eu tiver de indicar um livro de Eco, certamente será O nome da rosa. Aliás, quem ainda não viu o filme, esqueça-o e leia o livro. Não que o filme seja ruim, mas não é nem 10% do que é o livro. Li O nome da rosa logo após o lançamento e o reli várias vezes, tamanho o deslumbramento com o texto. Mesmo já conhecendo o desfecho, a cada (re)leitura descobria novos detalhes, novas nuances.
continua…

19 de dezembro de 2010, 22:05 - Cristine
Drops, Queimando livros    sem comentários

A ciência médica de House

A ciência médica de House
Andrew Holtz

a-ciencia-medica-de-houseLi há algum tempo A física de Jornada Nas Estrelas (Lawrence Krauss) e gostei bastante. Apesar de achar que fosse um livro oportunista, tentando vender aproveitando-se da franquia Star Trek citada no título, comprei. Li e gostei bastante. Mas não precisa ser trekker para curtir o livro. Tem explanações bastante completas sobre a possiblidade da existência (ou não) de vários elementos da realidade de Star Trek: teletransporte, viagens no tempo, etc. Além disso, Krauss é um divulgador de ciência quase tão carismático quanto Carl Sagan. Valia conferir nem que fosse apenas por esse motivo.

Tempos depois, vi nas prateleiras um título no mesmo estilo, mas abordando uma das minhas séries favoritas, House. Porém, diferente do livro de Krauss, o de Holtz é sim oportunista. Adquiri achando que veria no livro a mesma seriedade na análise dos casos tratados por House que vi nas análises dos fenêmenos físicos em Star Trek. Grande decepção. Texto superficial, análises rasas e pouco ou nenhum acréscimo de informações para os mais interessados em ciências médicas. É fácil de ler, justamente pela ausência de profundidade.

Um conhecido pediu-me o livro emprestado. Contrariamente aos meus hábitos, não só emprestei como disse que ele poderia ficar com o livro.

Vale um Café coado de boteco
1 Stars

27 de novembro de 2010, 12:40 - Cristine
Drops    sem comentários

“Se ele é aquele que se esconde, eu serei aquele que procura.”

The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Robert Louis Stevenson

Num momento de vadiagem dominical comecei a assistir um dos meus episódios prediletos de Frajola e Piu-Piu, “Hyde and Go Tweet”, em que o pássaro toma uma poção no escritório de um tal Dr.Jekyll e transforma-se num Piu-Piu gigante nada amistoso. Além de me divertir com o episódio e também ao recordar de um colega de trabalho cujo apelido (desconhecido por ele, lógico) era Piu-Piu Gigante, lembrei da obra original e achei que seria interessante resenhá-la. Não só pelo interesse da obra em si, mas também para cumprir um dos itens deste desafio (item 1: resenhar uma obra do século XIX).
continua…

6 de novembro de 2010, 11:52 - Cristine
Devaneios    2 comentários

“L’enfer, c’est les autres”

huis_clos_small[1]Nunca assisti à peça de Sartre da qual faz parte essa fala, “Huis Clos” (em português, “Entre Quatro Paredes”). Mas apesar disso, penso nela bastante amiúde, nas mais diversas situações. No contexto original da peça, três pessoas vão para o inferno, no caso um aposento mal decorado com móveis velhos e não o local quente e vermelho presente no imaginário popular. Nesse ambiente, são obrigados a conviver com as diferenças, os defeitos, as manias dos outros. Convivência que culmina com um dos personagens proferindo a famosa frase: “O inferno são os outros”. Nessa fala, Sartre sintetizou um sentimento característico do ser humano: a tendência inata de nos eximir de culpa e responsabilizar qualquer outra coisa ou pessoa por nossas vicissitudes. Certamente que em muitas situações, o que nos acontece não é totalmente controlado por nossas próprias ações. Estamos, com frequência, à mercê de agentes externos. Mas assim como Sartre, acredito que assumir a responsabilidade sobre nossos atos é o caminho para conseguir a liberdade plena.

A última ocasião que lembrei dessa frase, foi ao ler uma notícia sobre o suicídio de um professor universitário. É um assunto que sempre me suscita as mesmas perguntas. O que leva uma pessoa ao suicídio? O que faz com que alguém queira tirar a própria vida? O que pode ser tão ruim para que a única solução possível seja a morte? Apesar das questões serem coerentes, há nelas embutida uma falácia. Ao formulá-las, estou pressupondo que haja uma alternativa, uma escolha. Mas na visão de uma pessoa com algum distúrbio neurológico a escolha inexiste. Não há outra opção possível. Não sou especialista, mas creio que alguém com depressão tenha a percepção alterada, de si mesmo, dos outros, do que os outros pensam a seu respeito. Acredito que exista ao mesmo tempo uma supervalorização negativa da opinião alheia em detrimento do “auto-conceito”. E essa inversão da percepção impede que o depressivo enxergue uma alternativa. “Se o que penso, o que sou, vale tão pouco, por que continuar aqui?” É a frase da peça levada ao extremo. O depressivo acaba balizando sua existência pelo conceito que ele acha que os outros têm dele.

Ainda citando Sartre, “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.” Infelizmente, o suicida parece não conseguir perceber essa importância.

19 de outubro de 2010, 22:30 - Cristine
Devaneios    2 comentários

Sucesso

Estava folheando uma revista há algumas semanas e, numa coluna sobre trabalho e carreira, havia um questionamento de um leitor que para alguns pode parecer tolo. Mas interessou-me bastante por ter gerado identificação imediata com meu modo de pensar. O leitor em questão afirmava que ao contrário de seus colegas de trabalho, não pretendia ser um exemplo de sucesso na vida profissional. Que ter o melhor emprego ou galgar cargos na hierarquia não era necessário à sua felicidade. E ele questionava se há algo de errado em ser assim, se ele poderia ser considerado pior que seus colegas por causa disso.
continua…