26 de outubro de 2016, 10:06 - Cristine
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O capricórnio se aproxima

O capricórnio se aproxima
Flavio Cafiero

“Vender enciclopédias”, “trabalhar em banco”, “comer pudim de pão”, “fazer aula de violão” e, finalmente, “ser de capricórnio”. Códigos familiares para assuntos proibidos para as crianças. É percorrendo esse mapa congestionado da linguagem que o leitor vai compreendendo lentamente o enredo cheio de humor e melancolia de O capricórnio se aproxima, do carioca Flavio Cafiero.
A personagem principal é João, um taxista que tenta se entender com as novas tecnologias exigidas pela profissão e com a necessidade de aprender inglês por conta da Copa do Mundo no Brasil. Porém, mais difícil do que operar um sistema de GPS ou arriscar um Go on, são as relações familiares, que podem parecer banais apenas para quem as vê de fora.
(…)
Surge então um outro mapa: o da cidade do Rio de Janeiro. E assim como o da linguagem, aqui há regras, sentidos obrigatórios, congestionamentos e riscos de acidentes. Os mapas – da linguagem e da metrópole – se sobrepõem criando camadas de significado.
(fonte: release oficial)

continua…

23 de outubro de 2016, 13:40 - Douglas
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Cinco Esquinas

Cinco Esquinas
Mario Vargas Llosa

Sempre tive respeito pelo Nobel de literatura. Diferente da maioria das premiações literárias, tenho a impressão de que os valores que considero para reconhecer um autor são muito semelhantes aos critérios da comissão sueca. Sobretudo no tocante a Saramago e Gabriel Garcia Marques, de obras impressionantes e, indiscutivelmente, merecedores do reconhecimento. Mesmo com a recente polêmica sobre Bob Dylan, não cheguei a mudar de opinião. Por isso, talvez, eu tenha criado uma expectativa bastante elevada sobre Mario Vargas Llosa.
continua…

21 de outubro de 2016, 11:18 - Cristine
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Jennifer Egan sobre a escrita

»» versão do artigo “Jennifer Egan on Writing, the Trap of Approval, and the Most Important Discipline for Aspiring Writers”, escrito por Maria Popova, publicado em 27/09/2016 no Brain Pickings ««

Jennifer Egan sobre a escrita, a armadilha da aprovação e a disciplina mais importante para aspirantes a escritores

“Você só pode escrever regularmente se estiver disposto a escrever mal. Aceite a má escrita como uma forma de preparo, um exercício de aquecimento que te permite escrever bem.”

“Seja um bom administrador de seus dons”, pediu a poeta Jane Kenyon no que resta do melhor conselho sobre escrita que encontrei. E ainda assim, para a maioria dos artistas talentosos, a prática dessa administração continua sendo um constante e bastante arisco domínio da disciplina.

Esse domínio evasivo é o que a ganhadora do Pulitzer, a escritora Jennifer Egan (nascida em 07/09/1962) explora em Por que escrevemos: 20 autores aclamados falam sobre como e por que eles fazem o que fazem – uma antologia maravilhosa editada por Meredith Maran, com a opinião de Michael Lewis a necessária auto-ilusão sobre trabalho criativo, o conselho de Susan Orlean para aspirantes a escritor, Isabel Allende falando sobre como invocar a musa, a Mary Karr falando sobre a loucura e o magnetismo da palavra escrita.

jennifer-egan

Jannifer Egan

Começando com a questão central sobre por que escritores escrevem – que arrancou algumas respostas memoráveis de W.H. Auden, Pablo Neruda, Joan Didion, David Foster Wallace, Italo Calvino e William Faulkner – Egan considera o ato da escrita como uma forma vital de cuidados pessoais:

“Quando não estou escrevendo tenho consciência de que algo está faltando. Se demoro muito, fica pior. Fico deprimida. Há algo vital que não está ocorrendo. Um certo dano a longo prazo começa a acontecer. Posso ficar um tempo sem, mas então meus membros ficam dormentes. Algo ruim está acontecendo comigo, e eu sei disso. Quanto mais eu espero, mais difícil é começar de novo.
Quando estou escrevendo, especialmente quando está indo bem, fico vivendo em duas dimensões diferentes: esta vida de agora, que eu curto muito, e um outro mundo em que estou habitanto que ninguém sabe a respeito.”

Para Egan, assim como para muitos artistas, esse modo diferente de realidade habitada corrobora o conceito de flow do psicólogo pioneiro Mihalyi Csikszentmihalyi – uma forma suprema que a escritora científica Diane Ackerman chamou de deep play, um estado de importância evolucionária essencial e existencial. Egan fala disso lindamente:

“Quando estou escrevendo ficção, esqueço quem sou, de onde venho. Deslizo para um modo de absorção absoluta. Amo a sensação de ter ficado tão envolvida com o outro lado, perco meu rumo aqui. Se saio do estado mental de escrita para buscar as crianças na escola, frequentemente eu tenho um breve mas agudo momento de depressão, como se estivese presa. Quando estou com eles, isso desaparece completamente e me sinto feliz novamente. Algumas vezes, esqueço que tenho filhos, o que é bastante estranho. Sinto-me culpada, como se minha negligência pudesse causar-lhes algo, mesmo quando não estou cuidando deles…”

Reproduzindo a maravilhosa Colette falando sobre a obsessividade/compulsividade transcendente da escrita, Egan diz:

“Quando a escrita está indo bem – estou tentando não soar clichê – sinto-me alimentada por uma fonte desconhecida. Durante esses períodos, não importa se as coisas não estão indo bem na minha vida. Tenho essa fonte alternativa de energia ativa. Quando a escrita não está indo bem, é tão ruim ou pior do que não escrever. Há um vazamento ou um dreno, e a energia está escapando. Mesmo quando o resto da minha vida está bem, sinto como se algo estivesse mesmo ruim. Tenho baixa tolerância para qualquer coisa indo mal e obtenho pouca alegria das coisas boas. Era pior antes de eu ter filhos. Gosto do quanto eles me fazem esquecer da minha vida profissional.”

visita-cruel-do-tempoNuma linha que lembra as reflexões de Joni Mitchell sobre o lado escuro do sucesso artístico e as lamentações de John Steinbeck sobre os perigos da aprovação pública, Egan faz considerações sobre a respeito das consequências psico-emocionais de seu prêmio Pulitzer:

“A atenção e aprovação que obtive por Goon Squad (N.T.: A Visit from the Goon SquadA visita cruel do tempo, publicado pela Intrínseca) – os momentos em público ao ganhar o Pulitzer e outros prêmios – é exatamente o oposto de todo o prazer privada de escrever um livro. E é perigoso. Achar que você irá ganhar esse tipo de amor novamente, que obtê-lo seria um objetivo, me levaria a tomar decisões criativas que enfraqueceriam a mim e à minha escrita. Nunca busquei essa aprovação, que é o maior motivo para eu não querer começar agora.
(…)
Todo meu esforço criativo é o repúdio ao meu último trabalho com um trabalho novo. Se eu começar a ansiar por aprovação, tentando reproduzir o que fiz em Goon Squad, isso nunca irá conduzir a algo bom. Sei disso. Parar de melhorar? Não há desculpa para isso.”

Com um olhar sobre a nossa propensão para o que os psicólogos chamam de “fim da ilusão da história” – melhor descrita no sumário aforístico do psicólogo de Harvard Dan Gilbert: “seres humanos são obras em andamento que acham que estão finalizados” – Egan diz:

“Todos nós temos aquela tendência de achar que o momento presente irá durar para sempre. Talvez quando eu não for mais o ‘sabor do mês’ eu ficarei devastada e chocada, e talvez esqueça tudo que estiver falando. Mas tenho esperança de que tenho recursos para lidar com isso.”

Ela finaliza oferecendo três conselhos para aspirantes a escritor:

  • “Leia até que você queira escrever. Ler é o alimento que nutre o tipo de escrita que você quer fazer. Se o que você realmente ama ler é x, será difícil para você escrever y.
  • Fazer exercício é uma boa analogia para a escrita. Se você não costuma se exercitar, vai querer evitar para sempre. Se você está habituado, é desconfortável e estranho não fazer. Não importa onde você esteja em sua carreira de escritor, o mesmo se aplica à escrita. Mesmo 15 minutos por dia irá manter seu hábito.
  • Você só pode escrever regularmente se estiver disposto a escrever mal. Você não pode escrever sempre e bem. Você tempo de aceitar a má escrita como uma forma de preparo, um exercício de aquecimento que te permite escrever bem.”

14 de outubro de 2016, 19:33 - Cristine
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A morte da luz

A morte da luz
George R.R. Martin

E aconteceu mais uma vez. Esta era uma resenha que eu não tinha intenção de escrever. Nâo por não querer ou por não ter gostado do livro – muito ao contrário. Mas por falta de tempo mesmo, já que prefiro reservar o tempo disponível para as resenhas dos livros das editoras parceiras. No entanto, um resumão indevidamente auto-intitulado de resenha me incitou a mudar de ideia e escrever uma resenha “comme il faut” (como se deve). Afinal, como já comentei algumas vezes, escrevo a resenha que eu gostaria de ler. E, certamente o que eu quero ler não é apenas o modelo simplista de resumo + opinião, pois isso eu já leio no Goodreads.
continua…

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