5 motivos para ler Um pedaço de madeira e aço

Published on: 2 de setembro de 2018

Filled Under: Resenhas

Views: 132

Tags: , , , , ,

Um pedaço de madeira e aço
Christophe Chabouté

Antes de mais nada, deixo claro que estou longe de ser especialista em quadrinhos a ponto de ter capacidade de analisar detalhes específicos da nona arte. Dito isso e, sem a menor intenção de fazer um “tracadalho do carilho”, não tenho palavras para descrever o quanto esta HQ é sensacional. Mas tentarei elencar alguns motivos para não deixar de lê-la.

A história de um banco, um simples banco de praça pública, que vê pessoas passarem durante horas, dias, estações, anos… Muitas passam, algumas param, outras voltam e há aquelas que esperam… O banco é um refúgio, uma ilha, um abrigo, um palco… um balé de anônimos conduzidos por uma coreografia habilmente orquestrada, em que pequenas curiosidades, situações incríveis e encontros surpreendentes dão à luz uma história singular, por vezes cômica, por vezes trágica.
(fonte: goodreads.com)

1. O protagonista é um banco de praça

São 334 páginas protagonizadas por um banco de praça, o pedaço de madeira e aço do título. Isso por si só, já desperta a curiosidade. Afinal, como é possível que um objeto inanimado seja personagem e, ainda mais, protagonista de um livro? Considerando-se que protagonista é aquele personagem sobre ou ao redor de que a trama é desenvolvida, sim, ele é o protagonista – e, neste caso, o “sobre” também pode ser tomado no sentido literal. Mas curiosidade não é o único sentimento que a narrativa de Chabouté suscita. O que acontece à volta do banco, as pessoas que passam por ele e cujas histórias acompanhamos por dias, semanas, anos até, conquistam e envolvem o leitor de tal forma que é impossível largar o livro antes de chegar ao fim.

2. A HQ não tem sequer um balão de texto

chaboute01Deixando de lado a eterna discussão de que pra ser literatura precisa ter texto, essa característica não é apenas mais uma curiosidade a respeito desta obra. É a prova cabal de que é possível sim, contar – e contar bem – uma história sem a necessidade de palavras. É a confirmação do clichê “Uma imagem vale mais que mil palavras”. No caso de Chabouté, sua capacidade de saber exatamente qual o “instantâneo” deve ser representado, qual fotografia de cada um dos personagens é relevante para contar suas histórias, é o segredo. Lembra muito performances de mímica e pantomima, a exemplo de Marcel Marceau, ou mesmo atores de filmes mudos, como Buster Keaton, Chaplin e o inesquecível Jacques Tati. Os sentimentos e pensamentos dos personagens são transmitidos de forma inequívoca e, com tal intensidade, que é difícil não se emocionar em vários momentos durante a leitura. Não há balões mas é possível “ouvir” os personagens através das ilustrações.

3. A arte de Chabouté é impressionante

chabouteComo disse antes, quadrinhos não são minha especialidade, não conheço o bastante para analisar “tecnicamente” a obra. Mas creio que o pouco que sei sobre desenho e afins me permitem afirmar que Caabouté é excepcional no uso da ilustração em preto e branco. Eu, particularmente, gosto tanto de fotos quanto de ilustrações em P&B e apreciei a forma como ele usa os espaços em branco e as manchas de cor. O traço é simples, sem floreios, mas tem uma tal intensidade que cativa o leitor e o “puxa” para dentro da trama. Sem perceber, o leitor passa vários minutos em algumas páginas, absorvendo cada detalhe. E são tantos, tão pontuais e significativos, que o texto se torna, por assim dizer, desnecessário. Suas ilustrações intensificam a poesia da narrativa. Em uma palavra, impressionante.

4. A narrativa é incrível

chaboute02Há autores que gastam páginas e páginas para construir uma narrativa que, às vezes, é incapaz de cativar o leitor. Em contrapartida, Chabouté consegue isso de forma concisa. Ele constroi micro-narrativas do cotidiano, sem que pareçam banais ou insignificantes. Uma miríade de personagens é apresentada ao leitor – um mendigo, um skatista, um vira-lata, um casal idoso, uma senhora leitora, entre outros – e são facilmente identificáveis, mesmo quando se passa um longo tempo e aparecem envelhecidos. E nada parece forçado ou inverossímil. A vida acontece, coisas mudam e Chabouté ilustra isso com precisão e, ao mesmo tempo, candura. E até mesmo o banco tem seu arco dramático. A narrativa tem humor, tem drama, tem suspense, tem até mesmo um plot twist próximo ao final.

5. A edição é linda

Nâo é exatamente um motivo para ler. Mas, como leitor e colecionadora de livros, ter edições caprichadas na estante é um fator importante. O projeto gráfico é excelente, a lombada arredondada e a capa dura com soft touch dão um toque especial. Apesar de menor que Moby Dick – do mesmo autor e publicado também pela editora do Pipoca e Nanquim – mantém a unidade da coleção.


Vale um Capuccino


amazonCompre aqui.
Send to Kindle

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *